Infantino: presidente está pressionado após decisões envolvendo a Copa do Mundo (BRENDAN SMIALOWSKI/AFP)
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Publicado em 26 de agosto de 2026 às 18h18.
A Uefa deve abandonar a ameaça de boicote às competições organizadas pela Fifa após receber garantias de que a entidade máxima do futebol não retomará o projeto de vender participações comerciais em seus principais torneios. A informação foi divulgada pelo jornal britânico The Times.
Segundo a publicação, a Fifa retirou a proposta no fim de julho e assegurou aos europeus que iniciativas semelhantes não serão apresentadas novamente. Com isso, a Uefa considera que as condições estabelecidas para suspender o boicote foram atendidas.
O fim da ameaça deve ser levado à reunião marcada para quinta-feira, em Mônaco, que reunirá o comitê executivo da Uefa e representantes das 55 federações nacionais filiadas à entidade.
O encontro, porém, não deve significar o fim do embate entre as duas instituições. Os dirigentes europeus também pretendem discutir maneiras de aumentar a pressão sobre Gianni Infantino, presidente da Fifa, por causa do projeto Fifa Forward Enterprises (FFE).
A proposta comercial havia provocado forte reação na Europa. As 55 associações nacionais do continente haviam aprovado a possibilidade de boicote depois que veio a público a ideia de comercializar participações em competições da Fifa.
A preocupação ganhou ainda mais urgência diante da proximidade de torneios internacionais. A Inglaterra, por exemplo, tem viagem programada para a Polônia na próxima segunda-feira para disputar o Mundial Feminino Sub-20. Antes disso, a seleção inglesa fará um amistoso contra a Nova Caledônia no sábado, no St George's Park.
Com o recuo da Fifa, a expectativa é de que a crise não provoque impacto imediato na participação das seleções europeias nas competições da entidade, segundo o The Times.
Apesar do possível fim do boicote, a relação entre Uefa e Infantino continua tensionada. A entidade europeia pretende intensificar os esforços para pressionar o dirigente a deixar a presidência da Fifa.
Ainda de acordo com o The Times, a Uefa enviou neste mês uma carta a Infantino por meio de advogados nos Estados Unidos. O documento informa que a organização avalia recorrer à Justiça, à arbitragem e a órgãos reguladores em relação ao Fifa Forward Enterprises.
A carta também solicita que a Fifa e seus dirigentes preservem documentos e informações relacionados ao projeto. A entidade europeia afirma que a medida é necessária diante da possibilidade de futuros procedimentos legais e regulatórios.
O pedido de preservação de documentos não ficou restrito a Infantino. Segundo o jornal britânico, a Uefa também indicou outros 14 executivos da Fifa que deveriam manter materiais relacionados ao caso.
Entre os nomes citados está Arsène Wenger, diretor de desenvolvimento global do futebol da Fifa. A iniciativa mostra que, mesmo com o provável encerramento da ameaça de boicote, a disputa política e institucional entre as entidades ainda está longe de terminar.