NFL: Alan Page foi MVP da NFL e hoje pertence a Suprema Corte dos Estados Unidos (Rick Doyle/Getty Images)
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Publicado em 27 de agosto de 2026 às 18h43.
Poucos atletas conseguem construir uma carreira digna do Hall da Fama. Mais raro ainda é transformar a vida após o esporte em uma trajetória tão marcante quanto a que veio antes. Alan Page fez as duas coisas. Ex-jogador do Minnesota Vikings, vencedor do prêmio de MVP da NFL em 1971, ele se tornou juiz da Suprema Corte de Minnesota após deixar o futebol e permaneceu no cargo por mais de duas décadas.
Aos 81 anos, Page olha para essa trajetória sem colocar as conquistas no centro da própria história. Para ele, o mais importante nunca foi chegar ao topo, mas continuar caminhando, segundo reportagem do New York Times.
Page acredita que os princípios que o levaram ao sucesso no futebol também foram fundamentais para sua carreira jurídica. Entre eles estão foco, trabalho duro, perseverança e a capacidade de analisar problemas antes de tomar decisões.
Mas há uma diferença importante na maneira como ele enxerga excelência. Para Page, não se trata de ser melhor do que quem está ao lado, mas de alcançar o melhor que cada pessoa pode oferecer.
Segundo a reportagem do Times, a filosofia ganhou força depois de 1971, quando foi eleito MVP da NFL. Depois de atingir um dos maiores reconhecimentos possíveis no esporte, Page precisou refletir sobre o que viria depois.
Foi quando percebeu que o sucesso não era um destino. O que realmente importava era a jornada e o esforço para continuar evoluindo.
Page estudou Direito enquanto ainda jogava pelos Vikings e chegou a trabalhar na área durante as férias da temporada. Em vez de enxergar as diferentes responsabilidades como um fardo, encontrou nelas uma fonte de energia.
A experiência também moldou sua atuação como juiz. Segundo Page, ocupar uma cadeira na Suprema Corte não significava ter todas as respostas. Era necessário ouvir pessoas com opiniões diferentes, reconhecer os próprios preconceitos e tentar compreender cada caso antes de decidir. Essa disposição para aprender permaneceu como uma das marcas de sua vida.
“Você cresce ou fica estagnado”, afirmou.
Apesar de todos os feitos profissionais, Page aponta para a família quando fala sobre aquilo de que mais se orgulha. Ele lembra da esposa, Diane, com quem viveu por 57 anos, e considera essa relação mais importante do que qualquer reconhecimento conquistado no esporte ou no Direito.
O futebol acabou. A carreira jurídica também. A família, não. Talvez por isso, depois de uma vida inteira dedicada à busca pela excelência, Page tenha escolhido terminar com uma lição muito menos competitiva: durante uma visita a uma escola, encontrou no verso de um calendário a frase “seja mais gentil do que você precisa ser”.