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Dirigentes da Fifa aumentam pressão sobre Gianni Infantino

O plano, anunciado há uma semana, provocou uma onda de críticas e foi rejeitado por três confederações, forçando Infantino a recuar de vez no sábado

Infantino: presidente segue como candidato único à presidência da Fifa nas eleições de março (FABRICE COFFRINI/AFP)

Infantino: presidente segue como candidato único à presidência da Fifa nas eleições de março (FABRICE COFFRINI/AFP)

Naty Falla
Naty Falla

Repórter

Publicado em 4 de agosto de 2026 às 14h59.

Nomes de peso dentro da Fifa começam a se afastar publicamente de Gianni Infantino depois do fracasso do plano de abrir a entidade a investidores privados. Entre eles estão o técnico Arsène Wenger, hoje diretor de desenvolvimento do futebol mundial, e o secretário-geral Mattias Grafstrom.

"A decisão de retirar o projeto era absolutamente necessária e incontestável", afirmou Wenger em comunicado nesta terça-feira, 4.

O ex-treinador do Arsenal se referia à proposta de criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), com a qual Infantino pretendia levantar US$ 4,2 bilhões (R$ 21,3 bilhões) vendendo 20% da empresa a investidores privados, um negócio que avaliaria a FFE em US$ 20 bilhões (R$ 101,4 bilhões).

O plano, anunciado há uma semana, provocou uma onda de críticas e foi rejeitado por três confederações, forçando Infantino a recuar de vez no sábado, 1. 

Wenger disse não ter tido qualquer participação no projeto e afirmou ter tomado conhecimento dele "por meio da imprensa". Ainda reforçou acreditar em "uma Fifa independente que serve ao nosso jogo com compromisso, transparência e integridade".

Em e-mail interno aos funcionários da entidade, segundo a AFP, Grafstrom classificou o episódio como uma "triste e repreensível série de eventos", que "felizmente terminou com o abandono permanente" do projeto.

"Indivíduos, momentos instáveis e episódios infelizes vêm e vão. A instituição, sua missão e sua responsabilidade com o futebol mundial continuam", escreveu o suíço de 45 anos, no cargo desde 2024.

Na sexta-feira passada, 31, o americano Carlos Cordeiro, principal assessor de Infantino, já havia pedido demissão, alegando oposição "categórica" ao projeto, que via como "ruim para o futuro de longo prazo" do futebol.

Uefa avalia ação judicial

À insatisfação interna soma-se uma pressão externa cada vez mais forte, puxada pela Uefa e apoiada pela Concacaf. Na semana passada, a confederação norte-americana pediu uma "revisão completa" da liderança de Infantino, enquanto a entidade europeia disse ter "perdido a confiança" no presidente.

Em carta enviada à Fifa na sexta-feira, também divulgada pela AFP, a Uefa notificou formalmente que planeja iniciar uma ação judicial e pediu que a Fifa "identifique, localize e preserve todos os documentos e informações armazenadas eletronicamente" sobre a FFE .

O desconforto também atinge a Copa do Mundo de Clubes, torneio disputado pela primeira vez em 2025 com 32 equipes, projeto pessoal de Infantino. Segundo um dirigente ouvido pela AFP, a edição de 2029 ainda não tem qualquer acordo fechado com os clubes participantes, e o clima entre os europeus é de que a governança da entidade precisa passar por "uma mudança estrutural".

Apesar de toda a pressão, Infantino segue como candidato único à presidência da Fifa nas eleições marcadas para março de 2027.

Para um novo mandato de quatro anos, o último permitido, ele precisa do apoio de 106 das 211 federações-membro. Até agora, quatro delas, todas europeias (Finlândia, País de Gales, Sérvia e Suécia), já retiraram seu apoio.

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