Esporte

Infantino fora da Fifa? Entenda a crise e as polêmicas no comando da entidade

Nos últimos dias, o presidente da Fifa viveu o momento mais delicado de seus dez anos à frente da Fifa

Infantino: presidente segue no comando da Fifa e é, até o momento, o único nome inscrito para a reeleição (BRENDAN SMIALOWSKI/AFP)

Infantino: presidente segue no comando da Fifa e é, até o momento, o único nome inscrito para a reeleição (BRENDAN SMIALOWSKI/AFP)

Naty Falla
Naty Falla

Repórter

Publicado em 4 de agosto de 2026 às 06h30.

Há duas semanas, Gianni Infantino comemorava o que chamou de "a melhor Copa do Mundo da história", que rendeu quase US$ 15 bilhões em receita e levou 6,6 milhões de espectadores aos estádios da América do Norte.

Nos últimos dias, no entanto, o presidente da Fifa viveu o momento mais delicado de seus dez anos à frente da entidade depois que um projeto para abrir a gestão comercial das principais competições do futebol a investidores privados ruiu em apenas três dias e reacendeu dúvidas sobre até quando ele resiste no cargo.

Como a crise de Infantino na Fifa começou

Na última terça-feira, 28, a Fifa apresentou o FIFA Forward Enterprise (FFE), uma associação comercial que, segundo a entidade, poderia captar até US$ 4,2 bilhões com base em uma avaliação de mercado de US$ 20 bilhões, administrando receitas ligadas à Copa do Mundo e ao Mundial de Clubes.

O plano previa um pagamento único de US$ 20 milhões a cada uma das 211 federações filiadas no início de 2027, além de elevar de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões o financiamento destinado a cada uma no ciclo 2027-2030.

A proposta, no entanto, esbarrou em um problema sensível. Entre os potenciais investidores estava o Thrive Eternal, fundo criado por Joshua Kushner, genro do presidente Donald Trump, que é próximo de Infantino e foi presença constante ao lado do cartola durante a Copa do Mundo deste ano.

A reação do mundo do futebol

A Uefa, que reúne 55 federações europeias, foi a primeira a reagir à proposta, ameaçando não participar de competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, caso o projeto avançasse.

A Concacaf seguiu o mesmo caminho, e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também apresentou oposição na sexta-feira, 31. A Conmebol, mais cautelosa, abriu consulta com suas dez federações, entre elas CBF e AFA, antes de se posicionar.

O desgaste também atingiu o entorno de Infantino. O seu principal assessor, Carlos Cordeiro, renunciou, classificando o projeto como "um mau negócio para as associações filiadas à Fifa, para o futebol e para o futuro de longo prazo do esporte".

Diante da pressão, Infantino recuou. Em comunicado divulgado na noite de sexta-feira, 31, ele afirmou que o projeto "criou divisões" e que, mesmo com apoio, "já não respondia ao interesse do objetivo inicial". Segundo o jornal britânico The Guardian, o dirigente chegou a ter o respaldo de 200 das 211 federações antes da reviravolta.

Recuo não encerra a crise de Infantino

O recuo, porém, não foi suficiente para acalmar os ânimos do mundo do futebol. Em nota divulgada no sábado, a Uefa, comandada pelo esloveno Aleksander Ceferin, chamou o abandono do projeto de "vitória para o futebol como um todo", mas cobrou uma "revisão integral da liderança" e disse que a "tarefa de restaurar a confiança na Fifa está apenas começando".

A entidade acusou Infantino de não cumprir as promessas de transparência feitas antes de sua eleição em 2016 e classificou o projeto como "opaco e arquitetado nos bastidores".

As federações da Inglaterra (FA) e da Alemanha (DFB) também criticaram publicamente a condução do processo. Segundo o presidente da DFB, Bernd Neuendorf, Infantino "agiu de maneira unilateral, sem transparência e, em última instância, de forma irresponsável".

A Concacaf, por sua vez, afirmou que "uma proposta desta magnitude não chega a essa etapa por acidente" e que é hora de "revisão integral" da liderança da Fifa.

África e Oceania adotaram tom mais brando, pedindo apenas que suas federações avaliassem o projeto.

Infantino já está fora da Fifa?

Por enquanto, não. Infantino segue no comando da Fifa e é, até o momento, o único nome inscrito para para eleição da entidade no ano que vem.

No entanto, o episódio expôs uma insatisfação inédita. Duas das confederações mais influentes do futebol mundial, Uefa e Concacaf, pediram publicamente uma "revisão integral" de sua liderança.

Nesse cenário, Victor Montagliani surge como uma forte alternativa. Atual presidente da Concacaf e vice-presidente da Fifa, o dirigente canadense ganha força para disputar a eleição com o apoio da Uefa. O prazo para o registro oficial de candidaturas termina em 18 de novembro, e o pleito está marcado para março de 2027.

Aos 60 anos, Montagliani presidiu a Federação Canadense de Futebol e desempenhou papel fundamental no processo de candidatura para a Copa do Mundo de 2026, sediada no Canadá, nos Estados Unidos e no México. O dirigente também se destaca pelo perfil diplomático e pelo domínio de quatro idiomas: inglês, espanhol, italiano e francês.

Quem é Gianni Infantino

Gianni Infantino é um advogado e dirigente esportivo suíço-italiano, atual presidente da FIFA (Federação Internacional de Futebol), cargo que ocupa desde fevereiro de 2016. Ele assumiu o comando da entidade máxima do futebol mundial após o escândalo de corrupção que derrubou seu antecessor, Sepp Blatter.

Formado em Direito, Infantino construiu grande parte de sua carreira nos bastidores do futebol europeu, onde se destacou como secretário-geral da UEFA entre 2009 e 2016 e ficou conhecido publicamente por comandar os sorteios de torneios como a Liga dos Campeões.

* Com informações da AFP

Acompanhe tudo sobre:FifaFutebolEsportes

Mais de Esporte

Remo x Santos: horário, onde assistir e prováveis escalações

Juventude x Atlético-MG: horário, onde assistir e prováveis escalações

Allan 'Puro Osso', lutador brasileiro do UFC, morre aos 34 anos

Quando volta a jogar a Seleção Brasileira feminina de vôlei? Veja a agenda após a VNL