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Remy Sharp
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Uma informação do ex-árbitro Renato Marsiglia, em entrevista ao UOL nesta semana, trouxe a novidade de que a Fifa está testando uma nova regra de impedimento, e que caso ela seja aprovada, vai fazer com que 99% dos gols — que hoje são anulados — fossem validados.

Os testes da Fifa estão acontecendo já há algum tempo em torneios de categorias de base de três países, Suécia, Itália e Holanda. O objetivo desta nova regra, que não existe ainda nenhuma previsão de quando e se realmente vai ser colocada em prática, é de só marcar o impedimento quando o jogador estiver completamente à frente do oponente. Se qualquer parte do corpo do jogador estiver na mesma linha, a decisão vai ser de validar o lance.

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Atualmente, a regra para o impedimento é marcada apenas quando uma parte do corpo do atleta esteja à frente do marcador.

Mais do que isso, facilitaria também o trabalho do VAR, pois só teria uma linha para análise e, em tese, deve fazer com que os erros caíam drasticamente.

A ideia desta mudança partiu de um importante personagem do futebol, o ex-técnico Arsene Wenger, que fez história ao ficar 22 anos no Arsenal-ING, e hoje é chefe de desenvolvimento global de futebol da Fifa. Essa experiência passou a ser autorizada pela entidade ainda em 2019, mas foi interrompida pela pandemia de covid-19, quando as competições de base ficaram suspensas por um período longo.

Essa não é a única mudança que a Fifa vem estudando. Em meados de 2022, surgiram duas informações importantes, uma delas sobre os arremessos laterais: ao invés das mãos, os laterais passariam a ser cobrados com os pés, com um limite de 5 segundos, para agilizar o andamento do jogo. Essa ideia também foi proposta por Wenger.

A outra diz respeito ao tempo de jogo: sobre o fim dos 90 minutos, em razão da perda de tempo durante esses jogos, e a possibilidade de o relógio parar quando a bola sair de campo, a exemplo de outras modalidades, como o basquete.

Em março de 2020, algumas alterações já vistas atualmente tiverem um início, caso das cinco substituições por jogo — ao invés das três convencionais. Na ocasião, outros temas foram colocados à mesa pela International Board (IFAB), caso da cobrança de uma falta de e para o mesmo jogador, substituições ilimitadas, como já acontece na NBA, por exemplo, e períodos de exclusão por amostragem de cartões.

Como será a nova regra de impedimento?

A ideia da Fifa é marcar o impedimento quando o jogador estiver completamente à frente do oponente. Se qualquer parte do corpo do jogador estiver na mesma linha, a decisão vai ser de validar o lance.

O que dizem especialistas?

Presidentes, gestores e executivos em futebol foram unânimes ao dizer que a mudança da regra do impedimento, como a citada acima, trata-se de uma iniciativa a ser elogiada.

"Eu trabalhei por mais de dez anos com Arsene Wenger, no Arsenal, e eu tenho como convicção e certeza que tudo que ele faz é muito bem pensado, tudo que ele coloca como uma ideia é porque foi muito planejado, e é difícil ter alguma questão que não faça sentido quando ele sugere algo assim. Pensando de uma forma prática, as decisões vão ficar mais fáceis de serem concluídas com relação ao impedimento, e vai propiciar o que é o mais importante, que é a arte do gol. Uma vez instituída esse tipo de regra, que é o corpo inteiro, eu acho que facilita muito mais a leitura e não vai ter essa demora de VAR, não vai ter essa dúvida com o corpo inteiro. E mais uma vez eu falo, vindo do Arsene Wenger, e o conhecendo bem como eu conheço, foi muito bem pensado a forma dele sugerir isso. Eu apoio muito a ideia porque vai facilitar muito mais essa interpretação que está causando agora um desfavorecimento da qualidade do jogo", afirma Sandro Orlandelli, Membro da UEFA Academy e especialista na identificação de talentos pela FA, a Federação Inglesa de futebol. Tem formação em Harvard e foi scout de equipes importantes da Europa, como Arsenal, Manchester United e Saint-Éttienne, da França. Atuando na função de diretor-técnico, seu atual posto, teve passagens por Red Bull Bragantino e Sport Club Internacional.

"Vejo essa possível mudança como positiva. Primeiro, porque ela não alteraria a forma como equipes jogam. Eliminar o impedimento, ainda que em uma parte específica do campo, transformaria por completo a dinâmica do jogo, e criaria um outro esporte, extremamente desinteressante. Segundo, porque regras precisam ser adaptadas, inclusive na sua interpretação, conforme táticas e a própria condição física dos atletas se altera ao longo dos anos. Hoje, os arranques são muito mais rápidos, e decisões sobre um passe em profundidade, por exemplo, são tomadas em uma fração de segundo, e é razoável que a mera inclinação de um corpo não invalide uma jogada originada com um atleta, que recebe a bola, ao lado de um adversário. Terceiro, porque temos visto intervenções do VAR equivocadas, por conta de milímetros em um tela, ou do exato milissegundo no qual um lance deve ser "congelado", no manuseio de um controle de edição. E por fim, penso que é preciso acabar com as longas interrupções do jogo relacionadas a validação de gols cuja análise é extremamente complexa, e definida por esses milímetros ou frames. A essência do futebol está na "explosão", no êxtase que o gol traz, e um percentual considerável deles já não proporciona mais isso", diz Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil. A empresa de entretenimento norte-americana, comandada pelo cantor Jay-Z, se tornou acionista majoritária e controladora da TFM Agency, companhia com mais de vinte anos de experiência no futebol mundial e que gerencia as carreiras de Vini Jr, Lucas Paquetá, Endrick e Gabriel Martinelli.

"Eu particularmente sou a favor de uma flexibilização na regra do impedimento. Eu acho que os jogos, as classificações e os resultados são definidos pelo milímetro, hoje com o VAR são decididos pelo frame, e isso é injusto. Um centímetro a mais não vai determinar uma vantagem de um gol ou de um não gol. Então acho que essa flexibilização é um avanço para diminuir as polêmicas no futebol e para maximizar a justiça do jogo, e quem sabe também para ter um espetáculo com ainda mais gols", aponta Marcelo Paz, presidente do Fortaleza.

"Para a qualidade do jogo acho ótimo, pois vai provocar um maior espaçamento entre linhas, já que os defensores, em busca de maior segurança, se posicionarão cerca de dois metros mais recuados perante o adversário. Não só mais gols serão validados como também a área onde eles são criados estarão menos compactadas", analisa Toninho Cecílio, ex-jogador com passagens por Palmeiras, Cruzeiro, Botafogo e seleção brasileira, e atualmente executivo de futebol.

 

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