Infantino: dirigente quer mudanças para a Fifa (Foto: (Foto de Adem ALTAN / AFP via Getty Images)
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Publicado em 30 de julho de 2026 às 13h20.
A proposta da Fifa de abrir espaço para investidores privados na gestão comercial de suas competições provocou uma nova crise no futebol internacional. Em resposta ao projeto apresentado por Gianni Infantino, a Uefa convocou uma reunião extraordinária para esta quinta-feira, 30, com as 55 federações nacionais filiadas e discutirá possíveis medidas contra a iniciativa, incluindo um eventual boicote a torneios organizados pela entidade máxima do futebol.
Entre as competições que podem ser afetadas está a Copa do Mundo Feminina de 2027, marcada para ser disputada no Brasil.
A principal preocupação da Uefa é a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa que concentraria a exploração comercial das competições da Fifa, incluindo direitos de transmissão, patrocínios e outras receitas.
Pelo plano apresentado, a Fifa manteria o controle da nova companhia, mas venderia uma participação minoritária a investidores privados para levantar cerca de US$ 4,2 bilhões (aproximadamente R$ 21,5 bilhões).
Para a entidade europeia, a medida representa uma mudança inédita na forma como o futebol é administrado e levanta dúvidas sobre governança e transparência.
O presidente da Fifa afirmou que o projeto ainda depende da aprovação das associações nacionais e do Conselho da entidade antes de entrar em vigor.
Segundo Infantino, os recursos obtidos com a venda das participações permitiriam ampliar significativamente os repasses financeiros às federações filiadas. A previsão é que cada associação passe a receber US$ 20 milhões por ciclo, valor superior aos atuais US$ 8 milhões.
A Fifa também sustenta que a nova estrutura ajudará a aumentar o potencial comercial de suas competições, impulsionando receitas com patrocínios e direitos de mídia.
Embora a oposição seja liderada pela Uefa, outras confederações também demonstraram resistência ao projeto. Concacaf e Confederação Asiática de Futebol (AFC) manifestaram apoio à posição europeia, formando um bloco que reúne a maioria das associações nacionais filiadas à Fifa.
Ainda assim, não há consenso. A federação da República Tcheca, por exemplo, declarou apoio à proposta apresentada por Infantino.
Em nota oficial, a Uefa afirmou que a comercialização de parte das operações da Fifa ultrapassa limites que, em sua avaliação, não deveriam ser cruzados pelas instituições responsáveis pela administração do futebol.
A entidade também criticou a ausência de informações sobre quem seriam os investidores envolvidos e defendeu que a governança do esporte não deve ser tratada como um ativo comercial.
Enquanto isso, a Fifa segue defendendo que a criação da FFE fortalecerá financeiramente suas competições e permitirá ampliar os investimentos destinados às federações nacionais ao longo dos próximos ciclos de Copa do Mundo.