Kylian Mbappe celebra com companheiros de seleção o terceiro gol da França contra a Suécia pela Copa do Mundo (SHAWN THEW/EFE/EPA)
Repórter
Publicado em 2 de julho de 2026 às 20h18.
O Mundial de 2026, sediado nos Estados Unidos, Canadá e México, tem chamado a atenção do público em geral pela grande quantidade de goleadas realizadas até aqui. Denominada a maior Copa do Mundo de todos os tempos por causa do aumento do número de seleções, a competição, apesar de ser um grande passatempo, tem evidenciado a disparidade entre as seleções nos enfrentamentos. Seria essa situação um reflexo da falta de um filtro mais rigoroso e da abundância de vagas disponíveis?
O motivo desse aumento, no discurso da Fifa, é de maior enfoque na inclusão global e na democratização do esporte, porém, é inevitável não citar a expansão do potencial financeiro que 48 seleções têm em comparação aos tradicionais 32 participantes. Quem tem se aproveitado da queda de qualidade dos adversários são os grandes atacantes do futebol mundial: Lionel Messi, com 6 gols em três partidas, Mbappé, com 6 gols em quatro partidas, Haaland, com 5 tentos em três confrontos, Harry Kane, com 5 gols em quatro duelos, além de Dembélé, Oyarzabal e Vinícius Júnior, com 4 gols, em 4 jogos, encabeçam a lista.
Tal pontaria dos artilheiros tem rendido um elevado número de goleadas no torneio. Se contarmos como goleadas as vitórias por mais de três gols de diferença, foram 19 na primeira fase em um total de 72 jogos, sendo onze delas sofridas por seleções pouco tradicionais - com no máximo quatro participações em Copas do Mundo. A nível de comparação, no Mundial de 2022, houve apenas 9 goleadas em 64 partidas, já neste ano, nesse mesmo recorte de 64 confrontos, foram 18 placares elásticos.
“Sob a ótica do entretenimento e da inclusão global, o novo formato do Mundial é excelente. Celebrar novas culturas no futebol é vital. Contudo, do ponto de vista puramente técnico, essa expansão inevitavelmente dilui o nível competitivo inicial. A disparidade técnica entre seleções tradicionais e estreantes gera confrontos desequilibrados e placares elásticos. O grande desafio do mercado hoje é expandir o alcance global sem comprometer a alta performance do espetáculo”, garante Alexandre Frota, CEO da FutPro Expo, evento atual que reúne os principais gestores do futebol brasileiro.
O número de gols também chega a impressionar, na primeira fase toda foram 215 tentos em 72 duelos disputados. Em todo o último mundial (64 jogos), as seleções balançaram as redes 172 vezes. Em 2026, com o mesmo número de partidas, foram 181 gols, maior marca da história das Copas. Em relação à média de gols, a 23ª Copa da história contou na primeira fase com uma média de 2,98 gols por jogo. Um número que chega a impressionar nos dias de hoje, porém bem abaixo se compararmos a média de tentos da Copa de 1954 - até hoje a maior de todos os tempos, com 5,38 gols por partida.
A edição do Mundial com mais países na história conta com muitas seleções de pouca tradição, como Catar, Haiti, Bósnia, Congo, Panamá e Iraque, com duas participações no torneio cada um. E outras até estreantes, casos de Curaçao, Cabo Verde, Jordânia e Uzbequistão. Apesar de uma queda técnica principalmente na fase inicial, onde todos os participantes estão presentes, a inclusão dessas equipes aliado às novas formas de captação de recursos durante a competição deixaria os jogadores mais valorizados e a Copa do Mundo ainda mais atrativa e forte comercialmente.
A Copa do Mundo de 2026 “inflada” com 48 seleções é inédita. Entretanto, ao longo de quase um século, a quantidade de participantes do Mundial já passou por diversas mudanças. Em 1930, a primeira Copa da história contou com apenas 13 seleções, assim como o Mundial de 1950.
Em 1938, este número aumentou para 15 seleções. E para 16, nas Copas de 1934, 1954, 1958, 1962, 1966, 1970, 1974 e 1978. De 1982 a 1994 disputaram o torneio 24 agremiações. Número que foi aumentado na sequência para 32 nos Mundiais de 1998 a 2022.