Cães: pesquisadores destacam que lateralidade pode revelar aspectos do comportamento e da saúde (Freepik)
Redatora
Publicado em 27 de junho de 2026 às 12h11.
Última atualização em 27 de junho de 2026 às 12h13.
Assim como os seres humanos podem ser destros ou canhotos, os cães também costumam demonstrar preferência por uma das patas. Um novo estudo realizado por pesquisadores da Itália desenvolveu o primeiro método padronizado para medir essa característica e mostrou que cerca de 79% dos cães utilizam mais uma pata do que a outra.
A pesquisa foi publicada na revista científica Royal Society Open Science e apresenta o Doginburgh Inventory, ferramenta criada para avaliar a lateralidade motora dos cães com mais precisão. Segundo os autores, o método pode contribuir para estudos sobre comportamento, cognição, saúde e bem-estar animal.
Até agora, pesquisas sobre lateralidade em cães utilizavam métodos diferentes, o que dificultava a comparação entre os resultados. Além disso, os animais eram normalmente classificados apenas como destros, canhotos ou ambidestros.
Para criar um sistema mais detalhado, os pesquisadores avaliaram 43 cães de diferentes raças, com idades entre um e dez anos.
Os animais participaram de quatro testes comportamentais. Em um deles, precisavam segurar um brinquedo recheado de alimento com uma das patas. Em outros, tentavam alcançar comida sob um móvel, desciam escadas e caminhavam sobre uma plataforma, enquanto os pesquisadores registravam qual pata era utilizada primeiro.
Com base nesses resultados, os cientistas desenvolveram uma classificação em cinco categorias: canhotos fortes, canhotos fracos, ambidestros, destros fracos e destros fortes.
Os pesquisadores também observaram que não existe uma predominância geral pela pata direita ou esquerda entre os cães. No entanto, os machos apresentaram uma preferência significativa pela pata esquerda durante o chamado teste Kong, enquanto esse padrão não foi observado nas fêmeas.
Segundo os autores, identificar a lateralidade dos cães pode ir além de uma curiosidade sobre o comportamento dos animais. Estudos anteriores já sugeriram que a preferência por determinada pata pode estar associada a características cognitivas, à resposta do sistema imunológico e até a diferenças de comportamento, incluindo níveis de agressividade.
O novo inventário oferece uma forma padronizada de medir essa característica, o que pode facilitar comparações entre pesquisas e ampliar o conhecimento sobre o desenvolvimento neurológico dos cães.
Como a pesquisa avaliou apenas 43 animais, serão necessários estudos com amostras maiores para confirmar os resultados e validar o método em diferentes raças e populações caninas.