Ciência

Por que 90% das pessoas são destras? Estudo explica evolução humana

Pesquisadores analisaram mais de 2 mil primatas e relacionaram a preferência pela mão direita ao bipedalismo e ao crescimento do cérebro humano

Evolução: pesquisadores analisaram mais de 2 mil primatas para entender lateralidade humana (Getty Images)

Evolução: pesquisadores analisaram mais de 2 mil primatas para entender lateralidade humana (Getty Images)

Publicado em 19 de maio de 2026 às 06h28.

A preferência pela mão direita pode estar diretamente ligada a duas das principais transformações da evolução humana: o desenvolvimento da postura ereta e o crescimento do cérebro. A conclusão é de um estudo liderado por pesquisadores da University of Oxford e publicado na revista científica PLOS Biology.

Segundo os cientistas, essas mudanças podem ajudar a explicar por que cerca de 90% dos humanos são destros — uma predominância muito mais intensa do que a observada em outras espécies de primatas.

O que o estudo descobriu

Pesquisadores analisaram dados de 2.025 macacos e símios de 41 espécies diferentes para investigar quais fatores poderiam estar ligados à lateralidade manual. A equipe avaliou características como tamanho do cérebro, uso de ferramentas, alimentação, estrutura social, tamanho corporal e padrões de locomoção.

Inicialmente, os humanos apareciam como uma exceção entre os primatas. No entanto, segundo os pesquisadores, essa diferença diminuiu quando os modelos passaram a considerar duas características específicas: o aumento do cérebro e a adaptação ao bipedalismo.

Para analisar a locomoção bípede, os pesquisadores utilizaram a proporção entre o comprimento dos braços e das pernas, medida frequentemente aplicada em estudos sobre postura ereta e movimentação humana.

Mudanças evolutivas podem explicar lateralidade humana

Segundo os autores, a postura ereta pode ter liberado as mãos da função de locomoção, favorecendo um uso mais especializado e assimétrico.

Os pesquisadores afirmam que ancestrais humanos mais antigos, como Australopithecus e Ardipithecus, provavelmente apresentavam apenas uma leve preferência pela mão direita, semelhante ao padrão observado atualmente em grandes símios. Esse comportamento teria se tornado mais intenso ao longo da evolução do gênero Homo, incluindo espécies como Homo erectus e neandertais.

O estudo também sugere que o crescimento e a complexidade do cérebro humano ajudaram a reforçar ainda mais a preferência pela mão direita. Segundo os cientistas, a combinação entre bipedalismo e expansão cerebral pode explicar por que os humanos desenvolveram uma dominância manual tão forte em comparação com outros primatas.

A pesquisa também identificou uma exceção curiosa: o Homo floresiensis, conhecido como “hobbit”, provavelmente apresentava uma preferência manual mais fraca. Os autores associam isso ao tamanho reduzido do cérebro e à preservação de características físicas ligadas à escalada.

Cientistas ainda investigam origem dos canhotos

Apesar dos resultados, os pesquisadores afirmam que ainda existem perguntas sem resposta sobre a lateralidade humana. Uma delas envolve justamente a persistência da população canhota ao longo da evolução humana.

A partir daí, os cientistas também pretendem investigar se padrões semelhantes de preferência corporal observados em animais, como papagaios e cangurus, podem indicar mecanismos evolutivos compartilhados entre espécies diferentes.

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