Ciência

Por que o resfriado 'derruba' alguns e outros não? Resposta não é o que parece

Estudo mostra que a resposta imunológica inicial define a gravidade dos sintomas

Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 06h00.

Um resfriado comum pode causar apenas sintomas leves em algumas pessoas, enquanto provoca quadros intensos em outras. Um estudo publicado na revista científica Cell Press indica que a diferença está na resposta inicial do sistema imunológico ao rinovírus, principal causador da doença.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Escola de Medicina da Universidade Yale, aponta que a rapidez com que as células do nariz ativam mecanismos de defesa pode determinar se a infecção permanece leve ou evolui para inflamação grave das vias aéreas.

Como o corpo reage ao rinovírus

O foco do estudo é a chamada resposta ao interferon, um mecanismo essencial do sistema imunológico. Esse mecanismo ajuda a impedir que o vírus se replique e se espalhe pelas vias respiratórias logo no início da infecção.

Quando essa resposta ocorre rapidamente, a infecção permanece restrita a poucas células. Nesse cenário, os sintomas tendem a ser leves ou quase imperceptíveis. Já quando a ativação do interferon é tardia ou bloqueada, o vírus consegue infectar um número muito maior de células.

Por que algumas pessoas ficam mais doentes?

Nos experimentos, os pesquisadores cultivaram células nasais humanas em laboratório até que elas formassem um tecido semelhante ao revestimento interno do nariz, capaz de produzir muco e desenvolver cílios, replicando o ambiente real das vias aéreas.

Em condições normais, menos de 2% das células foram infectadas pelo rinovírus. Quando a resposta inicial ao interferon foi inibida, cerca de 30% das células passaram a abrigar o vírus. Esse aumento foi acompanhado por inflamação intensa, maior produção de muco e sinais de dano às vias aéreas.

Relação com crises respiratórias

Os resultados ajudam a explicar por que o rinovírus é um dos principais gatilhos de crises de asma e de outras complicações respiratórias em determinados grupos de pessoas, como pacientes com doenças pulmonares crônicas.

Os pesquisadores avaliam que não é apenas a presença do vírus que define a gravidade da doença, mas a forma como o organismo reage nas primeiras horas da infecção.

Dessa forma, pessoas diferentes podem apresentar níveis distintos de resposta ao interferon. Quem ativa esse mecanismo de forma rápida tende a conter a infecção e se recuperar com menos sintomas.

Já indivíduos com resposta inicial mais fraca podem desenvolver quadros mais prolongados e intensos. Ainda não está claro por que essa resposta varia entre as pessoas, sobretudo em quem possui doenças respiratórias crônicas.

Outros fatores que influenciam o resfriado

Além da resposta ao interferon, outros fatores podem afetar a gravidade do resfriado comum. Entre eles estão:

  • Diferenças genéticas, que influenciam a resposta do sistema imunológico
  • Presença de doenças respiratórias, como asma ou DPOC
  • Imunidade prévia ao rinovírus, adquirida em infecções anteriores
  • Interação com bactérias das vias respiratórias, que pode intensificar a inflamação

Os pesquisadores destacam que compreender esses mecanismos pode ajudar no desenvolvimento de novas estratégias para prevenir crises respiratórias e reduzir complicações associadas a infecções virais comuns.

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