Tubarão-branco: raro registro pode revelar população ainda ativa (Imagem gerada por IA/EXAME)
Redatora
Publicado em 27 de junho de 2026 às 12h17.
Um raro encontro com um tubarão-branco juvenil reacendeu um mistério que intriga cientistas há mais de um século. A captura acidental do animal na costa mediterrânea da Espanha levou pesquisadores a revisar 160 anos de registros históricos e reforçou a hipótese de que essa população, considerada uma "fantasma", ainda sobrevive na região e pode até continuar se reproduzindo.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do Instituto Espanhol de Oceanografia (IEO-CSIC) e de outras instituições de pesquisa da Espanha, e publicado na revista científica Acta Ichthyologica et Piscatoria.
Em 20 de abril de 2023, pescadores capturaram acidentalmente um tubarão-branco (Carcharodon carcharias) juvenil na costa leste da Espanha. O animal media cerca de 2,1 metros de comprimento e pesava entre 80 e 90 quilos.
Embora o tubarão-branco seja uma das espécies marinhas mais conhecidas do mundo, registros no Mediterrâneo espanhol são extremamente raros. A descoberta levou os cientistas a reunir todos os relatos documentados entre 1862 e 2023 para avaliar se a espécie realmente desapareceu da região ou apenas permanece pouco observada.
A análise concluiu que os avistamentos, apesar de esporádicos, ocorreram ao longo de mais de 160 anos, indicando que a espécie continua presente nas águas mediterrâneas.
Os pesquisadores descrevem essa população como uma "fantasma" porque os encontros com esses animais são extremamente incomuns. Segundo os autores, os tubarões parecem continuar utilizando o Mediterrâneo, mas sua baixa frequência de avistamentos dificulta estimar o tamanho da população, acompanhar seus deslocamentos e compreender como utilizam o habitat.
Atualmente, o tubarão-branco é classificado como vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), e acredita-se que suas populações estejam em declínio em diversas partes do mundo.
Tubarão-branco encontrado no Mar Mediterrâneo - Foto: Báez et al., 2026 (Báez et al., 2026)
Para os pesquisadores, a idade do animal encontrado é uma das informações mais importantes do estudo. Segundo o pesquisador José Carlos Báez, autor principal do trabalho, a presença de um exemplar juvenil levanta a possibilidade de que a reprodução da espécie ainda esteja ocorrendo no Mediterrâneo.
Os autores destacam que o tubarão-branco ocupa o topo da cadeia alimentar e exerce um papel importante no equilíbrio dos ecossistemas marinhos.
Além de controlar populações de outras espécies, esses predadores percorrem grandes distâncias em mar aberto, contribuindo para a redistribuição de energia e nutrientes entre diferentes regiões do oceano. Também atuam como necrófagos ao consumir animais mortos, ajudando na reciclagem de matéria orgânica.