Sono: pesquisadores investigaram os efeitos da duração do descanso no organismo (Freepik)
Redatora
Publicado em 31 de agosto de 2026 às 16h10.
Dormir menos de seis ou mais de oito horas por noite foi associado a um envelhecimento biológico mais rápido em diferentes órgãos. A relação foi identificada por pesquisadores que analisaram dados de cerca de 500 mil participantes do Biobanco do Reino Unido. Os resultados foram publicados na revista Nature.
O menor nível de envelhecimento foi observado entre participantes que relataram dormir entre 6,4 e 7,8 horas por dia. Os resultados também associaram a duração do sono a doenças que afetam o cérebro, o coração, os pulmões e o sistema digestivo.
Os chamados relógios biológicos são ferramentas desenvolvidas para estimar se o organismo apresenta sinais de envelhecimento acima ou abaixo do esperado para a idade cronológica. Eles utilizam modelos de aprendizado de máquina e diferentes informações biológicas.
Entre os dados analisados estão proteínas presentes no sangue, moléculas relacionadas ao metabolismo e características obtidas por exames de imagem.
Uma diferença importante é que os pesquisadores não avaliaram apenas o envelhecimento do corpo como um todo. A equipe utilizou 23 relógios biológicos associados a 17 sistemas orgânicos. Isso permitiu investigar se a duração do sono apresentava relação com o envelhecimento de diferentes partes do organismo.
Os dados também mostraram relações entre a duração do descanso e diferentes doenças. O sono curto foi associado a episódios depressivos, transtornos de ansiedade, obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, doença cardíaca isquêmica e arritmias.
Além disso, os resultados mostraram que tanto dormir pouco quanto dormir muito apareceram associados à doença pulmonar obstrutiva crônica, asma e distúrbios digestivos, como gastrite e doença do refluxo gastroesofágico.
No entanto, os pesquisadores destacam uma limitação importante: os resultados não mostram que a duração do sono, sozinha, cause o envelhecimento mais rápido dos órgãos. Segundo a equipe, a associação pode indicar que dormir pouco ou demais seja um marcador de condições de saúde que também estão relacionadas ao envelhecimento.
Os pesquisadores usaram os relógios específicos de cada órgão para analisar com mais detalhes a relação entre sono e depressão na terceira idade. Nesse caso, a equipe não conseguiu determinar se a duração do descanso influenciava o desenvolvimento da depressão ou se a própria condição alterava os hábitos de sono.
Para investigar a relação, os cientistas realizaram uma análise de mediação. O método permitiu avaliar se diferenças no envelhecimento biológico poderiam estar envolvidas na associação entre duração do sono e depressão. Os resultados indicaram que o sono curto poderia apresentar uma relação mais direta com a ocorrência de depressão na terceira idade.
No caso do descanso prolongado, a associação com a depressão apareceu relacionada a mecanismos refletidos nos relógios biológicos do cérebro e do tecido adiposo.