Ciência

Qual é a sua idade biológica? Estudo explica como funcionam os relógios epigenéticos

Ferramentas baseadas em alterações no DNA e na atividade dos genes ajudam a estimar o envelhecimento do organismo e podem prever riscos à saúde

Envelhecimento: pesquisa aponta que alterações químicas no DNA permitem estimar a idade biológica e acompanhar o envelhecimento celular (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Envelhecimento: pesquisa aponta que alterações químicas no DNA permitem estimar a idade biológica e acompanhar o envelhecimento celular (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Publicado em 14 de agosto de 2026 às 20h03.

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Duas pessoas podem ter exatamente a mesma idade, mas envelhecer de maneiras completamente diferentes. Um novo estudo, liderado por cientistas da Universidade do Sul da Califórnia (USC), ajuda a explicar parte dessa diferença ao revelar, pela primeira vez, o que os principais testes de idade biológica realmente medem dentro das células.

A pesquisa, publicada na revista npj Aging, analisou cinco dos relógios epigenéticos mais utilizados no mundo. Os resultados mostram que cada um deles acompanha processos biológicos diferentes do envelhecimento.

Os pesquisadores também desenvolveram uma nova ferramenta que apresentou maior capacidade para prever doenças relacionadas à idade e o risco de morte.

Como funcionam os relógios epigenéticos?

A idade cronológica corresponde ao tempo de vida de uma pessoa. Já a idade biológica procura medir o quanto o organismo realmente envelheceu. Para isso, os cientistas utilizam os chamados relógios epigenéticos, ferramentas que analisam alterações químicas no DNA conhecidas como metilação.

Essas modificações não alteram a sequência dos genes, mas influenciam quais deles permanecem ativos ou inativos nas células. Em conjunto, elas formam o chamado epigenoma.

Diversos estudos já mostraram que esses relógios conseguem prever o risco de doenças e mortalidade com mais precisão do que a idade cronológica isoladamente. No entanto, ainda não foram identificado quais processos celulares eram capturados por cada um deles.

O que os relógios epigenéticos realmente medem?

Para responder a essa pergunta, os pesquisadores analisaram amostras de sangue de 3.227 participantes do Health and Retirement Study, um dos maiores estudos sobre envelhecimento realizados nos Estados Unidos.

A equipe comparou os padrões de metilação do DNA com a expressão gênica, processo pelo qual as informações contidas nos genes são utilizadas para produzir proteínas. Essa comparação permitiu identificar quais processos biológicos estavam associados aos cinco relógios epigenéticos analisados.

Dessa forma, os resultados mostraram que eles não medem exatamente o mesmo fenômeno. Alguns refletem alterações relacionadas ao metabolismo e ao equilíbrio energético das células. Outros estão mais ligados ao crescimento celular, ao funcionamento do sistema imunológico, à inflamação ou à comunicação entre as células.

Apesar dessas diferenças, todos apresentaram características em comum, sobretudo as alterações em processos considerados marcas do envelhecimento, como mudanças no metabolismo, na resposta imunológica e na comunicação celular.

Nova ferramenta prevê doenças e mortalidade com mais precisão

Com base nesses resultados, os pesquisadores desenvolveram uma nova ferramenta chamada Transcriptomic Aging Gene Scores (TAGS). Em vez de avaliar apenas alterações químicas no DNA, ela incorpora também informações sobre a atividade dos genes.

Segundo o estudo, essa abordagem conseguiu prever diversos desfechos de saúde com desempenho superior ao dos relógios epigenéticos isoladamente. Entre eles estão fragilidade, redução da velocidade de caminhada, doenças cardiovasculares, diabetes, doenças pulmonares e risco de morte.

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