Ciência

Seu cérebro é mais velho do que sua idade? IA pode descobrir

Em estudo, algoritmo analisou ondas cerebrais durante o sono e identificou que um cérebro biologicamente mais velho esteve associado a maior risco de demência

Cérebro: IA analisou ondas cerebrais durante o sono para estimar a idade biológica do cérebro (Freepik)

Cérebro: IA analisou ondas cerebrais durante o sono para estimar a idade biológica do cérebro (Freepik)

Publicado em 2 de agosto de 2026 às 09h40.

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Uma inteligência artificial capaz de analisar a atividade cerebral durante o sono pode identificar sinais precoces de envelhecimento do cérebro e estimar o risco futuro de demência. Em um novo estudo, pesquisadores observaram que pessoas cujo cérebro aparentava ser biologicamente mais velho do que sua idade cronológica apresentavam maior probabilidade de desenvolver a doença nos anos seguintes.

A descoberta faz parte da análise dos pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) e do Beth Israel Deaconess Medical Center. Os resultados foram publicados na revista científica JAMA Network Open.

Como a IA calcula a idade do cérebro

Os cientistas desenvolveram um modelo de aprendizado de máquina capaz de analisar registros de eletroencefalografia (EEG), exame que mede a atividade elétrica do cérebro durante o sono.

O sistema avaliou 13 características presentes nas ondas cerebrais e estimou a chamada "idade cerebral" de aproximadamente 7 mil adultos com idades entre 40 e 94 anos. Nenhum deles apresentava demência no início do acompanhamento.

Os participantes foram monitorados por períodos entre 3,5 e 17 anos. Ao longo desse tempo, cerca de mil pessoas desenvolveram demência.

Idade cerebral elevou o risco de demência

A análise mostrou que quanto maior a diferença entre a idade cerebral estimada e a idade cronológica, maior era o risco de desenvolver demência.

Segundo os pesquisadores, cada aumento de 10 anos na idade cerebral esteve associado a um crescimento de quase 40% no risco da doença. Já pessoas cujo cérebro aparentava ser mais jovem do que sua idade real apresentaram menor probabilidade de desenvolver demência.

Essa associação permaneceu significativa mesmo após o ajuste para fatores como escolaridade, índice de massa corporal, tabagismo, prática de atividade física, doenças pré-existentes e fatores genéticos.

Ondas cerebrais revelaram sinais ocultos

Os cientistas observaram que pequenas variações nas ondas cerebrais durante o descanso forneceram informações que não aparecem nas medidas tradicionais da qualidade do sono.

Entre os sinais analisados estavam as ondas delta, relacionadas ao sono profundo, e os fusos do sono, breves explosões de atividade cerebral associadas à consolidação da memória.

Outra característica que chamou atenção foi a presença de picos específicos nas ondas cerebrais, conhecidos como curtose. Segundo o estudo, esse padrão esteve associado a um menor risco de demência.

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