Ciência

Dormir demais pode ter efeito inesperado na carreira após os 50

Pesquisa mostra que a qualidade e a duração do sono influenciam o tempo de permanência no mercado de trabalho e a expectativa de vida profissional

Sono: pesquisa relacionou a qualidade e a duração do descanso noturno à expectativa de vida profissional após os 50 anos (stefanamer/Getty Images)

Sono: pesquisa relacionou a qualidade e a duração do descanso noturno à expectativa de vida profissional após os 50 anos (stefanamer/Getty Images)

Publicado em 22 de agosto de 2026 às 07h57.

Última atualização em 22 de agosto de 2026 às 12h01.

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Dormir mal na meia-idade pode trazer consequências que vão além do cansaço no dia seguinte. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Turku, na Finlândia, indica que pessoas com mais de 50 anos que apresentam distúrbios frequentes do sono ou dormem nove horas ou mais por noite tendem a permanecer menos tempo no mercado de trabalho. Os resultados foram publicados na revista científica Occupational and Environmental Medicine.

A pesquisa mostrou que indivíduos com problemas graves de sono podem perder cerca de oito meses de vida profissional em comparação com aqueles que dormem bem. Já quem costuma dormir nove horas ou mais por noite apresentou uma expectativa de permanência no trabalho aproximadamente nove meses menor do que pessoas com duração de sono considerada normal.

Como o estudo foi realizado

Os pesquisadores analisaram dados de duas grandes pesquisas populacionais da Finlândia: Finnish Public Sector (FPS) e Health and Social Support (HeSSup), avaliando os hábitos de sono de pessoas após os 50 anos.

A duração do sono foi dividida em três categorias:

  • Curta: menos de sete horas por noite;
  • Intermediária: entre sete e 8,5 horas;
  • Longa: nove horas ou mais.

Já os distúrbios do sono incluíram dificuldades para adormecer, despertares durante a noite, despertar precoce e sensação de sono não reparador nas quatro semanas anteriores à pesquisa. Os sintomas foram classificados como inexistentes, moderados ou graves, de acordo com a frequência.

Longas noites de sono estiveram associadas a carreiras mais curtas

Segundo o estudo, participantes que dormiam menos de sete horas ou entre sete e 8,5 horas apresentaram expectativa média de 13 anos e dois meses de vida profissional após os 50 anos. Entre aqueles que dormiam nove horas ou mais, esse período caiu para 12 anos e cinco meses.

Em entrevista ao The Guardian, a pesquisadora Saana Myllyntausta, do Departamento de Psicologia e Fonoaudiologia da Universidade de Turku e autora principal do estudo, afirmou que um dos resultados mais inesperados foi não encontrar diferenças entre quem dormia pouco e quem apresentava uma duração intermediária do sono.

Segundo ela, estudos anteriores já haviam relacionado o sono curto à aposentadoria precoce, enquanto a longa duração do sono costuma estar associada a piores indicadores de saúde, o que pode explicar a redução da vida profissional observada na pesquisa.

Distúrbios do sono também impactaram o tempo de trabalho

Além da duração do sono, a qualidade do descanso também influenciou os resultados. Em comparação com participantes sem problemas para dormir, aqueles com distúrbios moderados apresentaram expectativa de vida profissional cerca de cinco meses menor. Entre pessoas com distúrbios graves, essa redução chegou a aproximadamente oito meses, independentemente do sexo ou da ocupação.

A maior expectativa de permanência no mercado de trabalho foi observada entre mulheres em cargos profissionais que não apresentavam distúrbios do sono, com quase 14 anos de atividade após os 50 anos.

Já o menor tempo foi registrado entre homens que exerciam funções rotineiras e conviviam com distúrbios graves do sono, cuja expectativa ficou em torno de 12 anos e meio.

O estudo identificou ainda desigualdades relacionadas às condições socioeconômicas. A diferença na expectativa de vida profissional entre os grupos mais favorecidos — pessoas com maior escolaridade ou ocupações profissionais e sem problemas relevantes de sono — e os menos favorecidos — trabalhadores em funções rotineiras, com menor escolaridade e distúrbios graves do sono ou longa duração do descanso — variou de um ano e cinco meses até cinco anos, dependendo do conjunto de dados analisado.

Melhorar o sono pode ajudar a prolongar a vida profissional

Os autores destacam que promover a saúde do sono na meia-idade pode contribuir para aumentar a permanência das pessoas no mercado de trabalho, sobretudo entre grupos socioeconômicos mais vulneráveis.

Entre as estratégias sugeridas estão a terapia cognitivo-comportamental para insônia, oferecida pelos serviços de saúde ocupacional, além de programas educativos e ações para a melhoria dos hábitos de sono no ambiente de trabalho.

Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que o trabalho apresenta limitações importantes. A análise não levou em consideração fatores que também podem influenciar tanto o sono quanto a permanência no mercado de trabalho, como doenças físicas e mentais, condições médicas pré-existentes, comportamentos de risco e características da jornada de trabalho, incluindo o trabalho em turnos.

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