Pseudomonas aeruginosa: bactéria costuma representar maior risco para pessoas com baixa imunidade (Getty Images)
Redatora
Publicado em 3 de junho de 2026 às 11h08.
A bactéria Pseudomonas aeruginosa voltou a chamar atenção após ser identificada em um lote de água mineral Crystal, depois de também ter sido encontrada em produtos da Ypê.
Nesta quarta-feira, 3, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de um lote da marca de água após análises laboratoriais confirmarem a presença da bactéria.
Embora seja um microrganismo comum no ambiente e raramente represente risco para pessoas saudáveis, a Pseudomonas aeruginosa pode causar infecções em indivíduos com o sistema imunológico comprometido. Por isso, sua detecção em produtos destinados ao consumo ou ao uso doméstico costuma motivar medidas preventivas das autoridades sanitárias.
A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria amplamente distribuída na natureza. Segundo o Manual MSD, o microrganismo pode ser encontrado na água, no solo, no ar e em ambientes úmidos, como lavatórios, sanitários, piscinas com cloração inadequada e banheiras de hidromassagem. Em alguns casos, também pode estar presente na pele de pessoas saudáveis.
Classificada como uma bactéria oportunista, ela normalmente não provoca doenças em pessoas com o sistema imunológico funcionando adequadamente. No entanto, pode causar infecções quando encontra condições favoráveis, sobretudo em indivíduos mais vulneráveis.
As infecções por Pseudomonas aeruginosa são mais frequentes em pessoas imunossuprimidas, como pacientes em tratamento contra o câncer, transplantados, pessoas com HIV sem controle adequado e indivíduos que utilizam medicamentos que reduzem a resposta do sistema imunológico.
O risco também pode ser maior em pessoas hospitalizadas, com diabetes, fibrose cística ou outras condições que comprometem as defesas naturais do organismo.
De acordo com informações do National Institutes of Health (NIH) e do Manual MSD, a bactéria pode causar diferentes tipos de infecção, afetando a pele, os pulmões, o trato urinário, feridas e até a corrente sanguínea.
Em pessoas mais vulneráveis, os quadros podem ser mais graves e evoluir para complicações como pneumonia, sepse e choque séptico.
Embora a bactéria seja comum no ambiente, sua presença em produtos sujeitos a controle sanitário indica uma falha nos padrões microbiológicos exigidos pelas autoridades reguladoras.
Por esse motivo, quando a contaminação é confirmada, os lotes afetados são recolhidos preventivamente para reduzir possíveis riscos à população, especialmente entre pessoas com maior vulnerabilidade a infecções.
Em nota, a Mineração Bom Jesus informou que o recolhimento é preventivo e voluntário. A empresa afirmou que a contaminação foi identificada em uma amostra coletada durante fiscalização realizada em março em um ponto de venda do Distrito Federal.
A fabricante declarou que realizou mais de 300 análises em produtos e etapas do processo produtivo após a notificação e que todas apresentaram resultado negativo para microrganismos indicadores de contaminação.
A empresa também afirmou que, devido ao alto giro do produto no varejo, não há indícios de que o lote ainda esteja disponível no mercado.
A MBJ ressaltou que a medida se aplica exclusivamente ao lote LZ1 VAL200127 3 P 200126 e que os demais produtos da marca Crystal não são afetados. Segundo a companhia, a unidade fabril segue operando normalmente.
Consumidores que possuam garrafas identificadas com o lote LZ1 VAL200127 3 P 200126 devem entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa para solicitar orientações sobre substituição do produto ou reembolso.