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Pela primeira vez, navio é abastecido com etanol no Porto de Santos

Teste no Porto de Santos abre caminho para o uso comercial do etanol na navegação em meio à busca do setor por combustíveis de menor emissão

Movimentação exigiu uma operação logística inédita e ocorre enquanto cresce a demanda por alternativas aos combustíveis fósseis no transporte marítimo

Movimentação exigiu uma operação logística inédita e ocorre enquanto cresce a demanda por alternativas aos combustíveis fósseis no transporte marítimo

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 14 de julho de 2026 às 19h20.

Última atualização em 15 de julho de 2026 às 14h08.

O Porto de Santos, no litoral de São Paulo, recebeu o primeiro abastecimento com etanol de um navio porta-contêineres transoceânico no Brasil.

A operação, realizada neste domingo, 12, teve como protagonista o CMA CGM IRON, uma embarcação com capacidade para 13 mil TEUs, unidades equivalentes a contêineres de 20 pés, equipada com um motor tricombustível certificado para operar com etanol.

O abastecimento foi conduzido por CMA CGM, Copersucar, Bunker One, AGEO Terminais, Santos Brasil e Everllence e representa um novo teste para o uso de combustíveis de menor intensidade de carbono no transporte marítimo.

Embora a navegação ainda dependa majoritariamente do bunker, combustível fóssil utilizado pelos navios, o etanol desponta como uma das alternativas em avaliação pelo setor, já que pode emitir cerca de 70% menos CO₂ do que esse combustível.

Transporte marítimo descarbonizado

Para viabilizar a operação, foi necessária uma coordenação logística envolvendo diferentes etapas da cadeia:

O etanol foi transportado até o Porto de Santos, armazenado em infraestrutura dedicada e, em seguida, levado até o navio por uma barcaça especializada, seguindo padrões internacionais de segurança e eficiência.

A operação também contou com a participação de autoridades e instituições responsáveis pelos aspectos regulatórios e portuários.

O teste ocorre em um momento em que armadores e fornecedores de combustíveis buscam alternativas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa da navegação.

Além da redução nas emissões, as empresas envolvidas defendem que o etanol reúne características como disponibilidade em escala comercial, cadeia produtiva consolidada no Brasil e infraestrutura já existente para produção e distribuição.

Etanol em navios

O combustível utilizado na operação foi fornecido pela Copersucar. Segundo a empresa, o etanol integra uma cadeia de produção certificada e a expansão da cana-de-açúcar ocorre predominantemente sobre áreas de pastagens degradadas.

A companhia também destaca que a produção segue os critérios estabelecidos pelo RenovaBio, política nacional de biocombustíveis voltada à certificação da intensidade de carbono e à sustentabilidade da produção.

O navio abastecido em Santos foi entregue à CMA CGM em 2025 e é o primeiro de uma série de 12 porta-contêineres de 13 mil TEUs equipados com o motor Everllence-B&W G95ME-C10.5-LGIM, o primeiro motor tricombustível certificado para operar com etanol.

A companhia afirma que pretende operar cerca de 200 navios capazes de utilizar energias de baixo carbono até 2031, dentro da meta de alcançar neutralidade líquida de carbono em 2050.

Sustentabilidade no transporte marítimo

A operação também reforça a estratégia da CMA CGM no Porto de Santos. Em 2025, o grupo concluiu a aquisição da Santos Brasil, operadora do maior terminal de contêineres do país, ampliando sua presença na infraestrutura logística brasileira.

Para as empresas envolvidas, essa estrutura pode contribuir para transformar Santos em um ponto de abastecimento de combustíveis marítimos de baixo carbono para a América do Sul.

Na avaliação da Copersucar, o abastecimento abre uma nova frente para o mercado de etanol. "Mais do que um abastecimento pioneiro, estamos construindo as condições para que o etanol passe a integrar, de forma competitiva, a matriz energética da navegação", afirmou o presidente da companhia, Tomás Manzano.

Segundo a Bunker One, cerca de 70 navios da frota global já podem ser abastecidos com metanol e, consequentemente, com etanol. A expectativa da empresa é que outras 400 embarcações sejam entregues nos próximos anos aptas a operar com combustíveis não fósseis, ampliando o mercado potencial para alternativas ao bunker.

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