Ciência

Conheça o parasita por trás do surto de 'diarreia explosiva' nos EUA

Transmitida por alimentos ou água contaminados, infecção por Cyclospora provoca diarreia intensa e já soma centenas de casos nos Estados Unidos

Ciclosporíase: doença é causada pelo parasita Cyclospora e pode provocar diarreia intensa, além de outros sintomas gastrointestinais (Freepik)

Ciclosporíase: doença é causada pelo parasita Cyclospora e pode provocar diarreia intensa, além de outros sintomas gastrointestinais (Freepik)

Publicado em 14 de julho de 2026 às 17h55.

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Um surto de ciclosporíase colocou autoridades de saúde dos Estados Unidos em alerta após centenas de casos serem registrados em diferentes estados, especialmente em Michigan, segundo informações do jornal The Guardian.

A doença é causada pelo protozoário Cyclospora cayetanensis, transmitido principalmente por água e alimentos contaminados, e pode provocar episódios intensos de diarreia que duram semanas.

De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a ciclosporíase raramente representa risco de morte, mas pode causar desidratação, perda de peso e outras complicações, principalmente em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido.

O que é a ciclosporíase?

A ciclosporíase é uma infecção intestinal provocada pelo protozoário Cyclospora cayetanensis. O parasita é transmitido pela ingestão de alimentos ou água contaminados com fezes humanas.

Diferentemente de muitas infecções gastrointestinais, a transmissão direta entre pessoas é considerada incomum. Isso ocorre porque o protozoário eliminado nas fezes ainda não é capaz de infectar outra pessoa imediatamente. Antes de se tornar infeccioso, ele precisa permanecer alguns dias no ambiente.

Nos Estados Unidos, os casos costumam aumentar entre maio e agosto. Surtos anteriores foram associados ao consumo de frutas, verduras e ervas frescas, como manjericão, coentro, espinafre, alface e frutas vermelhas.

Quais são os sintomas da ciclosporíase?

O sintoma mais característico é a diarreia aquosa intensa, descrita pelo CDC como frequente e, em alguns casos, "explosiva".

Além da diarreia, a infecção pode provocar:

  • cólicas abdominais;
  • náuseas;
  • perda de apetite;
  • fadiga;
  • febre baixa;
  • vômitos;
  • perda de peso.

Os sintomas geralmente aparecem cerca de uma semana após a ingestão do parasita, mas esse intervalo pode variar entre dois dias e duas semanas.

Sem tratamento, a doença pode durar de alguns dias a mais de um mês. Em algumas pessoas, os sintomas desaparecem temporariamente e retornam dias depois.

Como é feito o tratamento?

O tratamento é feito, na maioria dos casos, com o antibiótico sulfametoxazol-trimetoprima, considerado a terapia de primeira escolha pelas autoridades de saúde americanas.

A maioria dos pacientes se recupera completamente, mas pessoas imunossuprimidas podem apresentar quadros mais prolongados ou graves. Além do tratamento medicamentoso, a reposição de líquidos é fundamental para prevenir a desidratação provocada pela diarreia.

Como prevenir a ciclosporíase

A principal forma de prevenção é evitar o consumo de alimentos e água contaminados. As autoridades de saúde recomendam:

  • lavar cuidadosamente frutas, verduras e legumes antes do consumo;
  • consumir água potável e de origem confiável;
  • cozinhar alimentos sempre que possível, já que o calor é capaz de destruir o protozoário;
  • seguir as orientações das autoridades de saúde durante surtos, evitando alimentos eventualmente associados aos casos.

O CDC ressalta que a lavagem dos alimentos reduz o risco de infecção, mas pode não eliminar completamente o parasita, principalmente em hortaliças e outros alimentos com superfícies irregulares ou muitas dobras.

O que se sabe sobre o surto nos Estados Unidos

Neste mês, Michigan registrou quase mil casos de ciclosporíase, o maior surto já documentado no estado. Ohio e outras regiões dos Estados Unidos também relataram aumento no número de infecções. Até o momento, as autoridades de saúde ainda não identificaram a fonte da contaminação.

Embora o número de casos tenha aumentado, o CDC informa que a doença raramente é fatal e que a maioria dos pacientes se recupera após o tratamento adequado. Enquanto a investigação continua, a recomendação é reforçar os cuidados com a higiene dos alimentos e procurar atendimento médico em caso de diarreia persistente, principalmente após o consumo de produtos crus.

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