Repórter
Publicado em 14 de julho de 2026 às 19h25.
Última atualização em 14 de julho de 2026 às 19h32.
O Senado Federal aprovou, nesta terça-feira, 14, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que estabelece regras para a aposentadoria especial de agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. A medida é tratada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como uma "pauta-bomba", em razão do potencial impacto sobre as contas públicas.
A proposta foi aprovada em dois turnos de votação. Em ambas as deliberações, o texto recebeu 73 votos favoráveis e um contrário.
Impacto de R$ 28 bi: como votou cada senador sobre PEC da aposentadoria especial a agentes de saúdeDe acordo com o texto da PEC, agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias terão direito à aposentadoria com idade mínima de 57 anos para mulheres e de 60 anos para homens, considerando-se o tempo mínimo de contribuição e de exercício profissional de 25 anos.
A nova regra valeria tanto para o regime próprio de previdência social, aplicável a servidores públicos, quanto para quem estiver no regime geral, administrado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O Ministério da Previdência Social já estimou que o texto amplia o quadro previdenciário já deficitário do país.
O texto afirma que a proposta prevê significativa "redução das receitas contributivas e antecipação de benefícios, comprometendo a sustentabilidade do sistema" e calcula a insuficiência acumulada em dez anos de R$ 84,18 bilhões, o que representa R$ 24,72 bilhões a mais em relação ao cenário atual.
Em um horizonte de 80 anos, a diferença de insuficiência financeira supera os R$ 53 bilhões, segundo os cálculos da pasta.
A PEC em questão, que precisa ser aprovada em dois turnos pelo Senado, recebeu o aval da Câmara dos Deputados no ano passado. Na Casa presidida por Hugo Motta (Republicanos-PB), a proposta teve como relator o deputado federal Antonio Brito (PSD-BA), favorável à concessão dos benefícios às categorias de agentes de saúde.