Smartwatch para monitoramento de sono (Garmin)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 14 de julho de 2026 às 15h25.
Quem dorme pouco sabe que o cansaço cobra seu preço. O que talvez não saiba é que o preço também aparece na balança, e não é preciso virar noites para isso.
Cortar menos de 90 minutos de sono por noite, por algumas semanas, já é suficiente para engordar e se mover menos durante o dia, segundo um estudo da Columbia University publicado no periódico Annals of Internal Medicine.
A pesquisa acompanhou 95 adultos saudáveis que normalmente dormiam entre sete e oito horas por noite. Durante seis semanas, metade deles atrasou o horário de dormir em 90 minutos, simulando o padrão vivido por cerca de 30% dos adultos.
O resultado: ganho médio de 450 gramas e aumento de 17 minutos diários de sedentarismo.
Boa parte da pesquisa sobre sono e obesidade foi feita com pessoas limitadas a quatro horas de descanso por noite, uma privação extrema que quase ninguém consegue sustentar por mais do que alguns dias.
Esses estudos mostram o que acontece em condições extremas, mas dizem pouco sobre a realidade de quem simplesmente dorme menos do que deveria de forma crônica.
"Nosso estudo foi desenhado para imitar padrões de sono que a maioria dos adultos experimenta cronicamente", disse Faris Zuraikat, professor assistente de medicina nutricional da Columbia e primeiro autor do trabalho.
Extrapolando os resultados para um ano inteiro, a perda de menos de 90 minutos de sono por noite poderia gerar um ganho de peso clinicamente significativo.
Os participantes usaram monitores de pulso que registravam sono e atividade física. Os pesquisadores também mediram peso, circunferência abdominal e hormônios ligados ao apetite ao longo de ambas as fases do estudo.
Os mesmos participantes foram avaliados em pesquisas relacionadas, e o quadro que emerge vai além da balança.
Mulheres com risco cardiometabólico elevado que reduziram o sono pelo mesmo período desenvolveram maior resistência à insulina, fator de risco central para o diabetes tipo 2, com efeito especialmente pronunciado em mulheres pós-menopáusicas.
Em outro estudo paralelo, homens e mulheres com risco elevado de doenças cardíacas desenvolveram um influxo de células inflamatórias no coração após a restrição leve de sono.
Marie-Pierre St-Onge, coordenadora da pesquisa, argumenta que o sono merece entrar com mais peso nas recomendações de saúde pública. "Focar apenas em comer de forma mais saudável e praticar mais atividade física para compensar o ganho de peso é simplista e difícil de manter", disse ela.