Ciência

Bactéria de 100 milhões de anos pode ser arma contra pragas e doenças

Proteínas ancestrais matam insetos com alta seletividade e indicam aplicações na agricultura e na medicina

Edição genética: técnica CRISPR foi utilizada para isolar bactéria ancestral (Rodolfo Parulan Jr/Getty Images)

Edição genética: técnica CRISPR foi utilizada para isolar bactéria ancestral (Rodolfo Parulan Jr/Getty Images)

Maria Eduarda Lameza
Maria Eduarda Lameza

Estagiária de jornalismo

Publicado em 4 de maio de 2026 às 15h17.

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Pragas em plantações e mosquitos transmissores de doenças são alguns dos males que assombram a humanidade há séculos. A boa notícia é que avanços científicos recentes indicam que uma bactéria milenar pode transformar essa realidade.

O micróbio do gênero Streptomyces produzem uma classe inédita de toxinas capazes de eliminar insetos com alta eficiência e seletividade. A descoberta foi publicada na revista Nature, um dos principais periódicos científicos do mundo, na última quinta-feira, 30 de abril.

As moléculas, chamadas de SAIPs, demonstraram toxicidade para células de insetos e baixa atividade em células humanas e de outros mamíferos.

Essas toxinas pertencem a uma linhagem bacteriana que surgiu há mais de 100 milhões de anos. Análises evolutivas indicam que o grupo foi mantido ao longo do tempo sob forte seleção natural.

O mecanismo de ação envolve a entrada da toxina nas células de insetos por meio de uma proteína de membrana chamada Flower. Sem esse receptor, a toxina não consegue atuar, o que explica a seletividade observada. Os experimentos mostraram que as SAIPs são letais para células e também para organismos vivos, como insetos.

Como funciona a toxina ancestral?

As SAIPs atuam por meio de um mecanismo chamado ADP ribosilação, que bloqueia funções celulares essenciais, como o fator de elongação eEF2, responsável pela produção de proteínas nas células. Ao inibir esse processo, a toxina impede o funcionamento celular e leva à morte dos insetos.

A seletividade ocorre porque a ligação depende do receptor Flower, identificado por meio de edição genética com a técnica CRISPR.

Aplicações potenciais

A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de inseticidas seletivos para a agricultura. O uso dessas toxinas pode permitir o controle de pragas sem impacto direto sobre humanos.

Outra possibilidade é o combate a vetores de doenças, como mosquitos transmissores. O estudo também aponta potencial para aplicações biomédicas, ainda em fase inicial de investigação.

Os pesquisadores registraram patente e iniciaram testes em organismos mais complexos, como larvas e grilos, para avaliar eficácia e segurança em condições próximas ao ambiente real.

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