Stephen Hawking: físico britânico teve uma das principais previsões sobre buracos negros confirmada mais de 50 anos depois (Liang Zhen / Colaborador/Getty Images)
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Publicado em 14 de julho de 2026 às 18h29.
Uma das previsões mais importantes do físico Stephen Hawking foi confirmada mais de cinco décadas depois de ser proposta. Cientistas demonstraram que, após a fusão de dois buracos negros, a área total de suas superfícies aumenta, exatamente como previa uma teoria apresentada por Hawking em 1971.
O resultado foi obtido por pesquisadores da colaboração internacional LIGO-Virgo-KAGRA (LVK), responsável pelos maiores observatórios de ondas gravitacionais do mundo, e publicado na revista científica Physical Review Letters. A análise utilizou dados de uma colisão entre dois buracos negros registrada em janeiro de 2025.
A confirmação veio a partir do evento GW250114, detectado em 14 de janeiro de 2025 pelo observatório LIGO. O fenômeno ocorreu a cerca de 1,3 bilhão de anos-luz da Terra e corresponde à fusão de dois buracos negros.
Ao analisar as ondas gravitacionais produzidas pela colisão, os pesquisadores calcularam a área dos dois buracos negros antes da fusão e compararam com o espaço do objeto formado depois do impacto.
Os resultados mostraram que a área total passou de aproximadamente 240 mil quilômetros quadrados para cerca de 400 mil quilômetros quadrados, confirmando a chamada teoria da área dos buracos negros, proposta por Hawking.
Segundo essa hipótese, o campo da superfície de um buraco negro nunca pode diminuir. Mesmo quando parte da massa é convertida em energia e emitida na forma de ondas gravitacionais, a combinação entre massa e rotação faz com que a área final seja sempre maior ou igual à soma das áreas anteriores.A teoria apresentada por Hawking em 1971 estabelece uma das propriedades fundamentais dos buracos negros previstas pela relatividade geral de Albert Einstein. Ela afirma que a superfície que delimita um buraco negro — conhecida como horizonte de eventos — nunca diminui de tamanho em processos naturais.
Na prática, isso significa que, quando dois buracos negros colidem e se fundem, o novo objeto formado precisa possuir uma área igual ou maior do que a soma das áreas dos dois buracos negros originais.
Embora a ideia fosse considerada um dos pilares da física teórica, faltava uma confirmação experimental suficientemente precisa.
A comprovação só foi possível graças aos avanços dos detectores de ondas gravitacionais. Esses observatórios conseguem medir deformações extremamente pequenas no espaço-tempo produzidas por eventos cósmicos violentos, como colisões entre buracos negros.
Segundo a pesquisadora Katerina Chatziioannou, da Caltech e integrante da colaboração LVK, a qualidade dos dados permitiu observar o sinal da fusão com precisão suficiente para testar diretamente uma das leis fundamentais da física.
O estudo alcançou um nível de confiança de 99,999%, tornando-se a evidência mais robusta já obtida em favor da teoria de Hawking. Em 2021, um teste semelhante já havia sido realizado, mas utilizava dados menos precisos.
A importância da confirmação vai além da previsão feita por Hawking. Na década de 1970, o físico britânico e Jacob Bekenstein demonstraram que a área dos buracos negros está relacionada à entropia, conceito ligado à quantidade de informação e à desordem de um sistema físico.
Essa conexão tornou-se uma das bases das pesquisas que buscam unificar a relatividade geral, que descreve a gravidade, com a mecânica quântica, responsável por explicar o comportamento das partículas elementares.
Desde a primeira detecção de ondas gravitacionais, em 2015, a colaboração LIGO-Virgo-KAGRA já registrou cerca de 300 fusões de buracos negros. Atualmente, os observatórios detectam, em média, um novo evento desse tipo a cada três dias, ampliando a capacidade dos cientistas de testar teorias fundamentais sobre o funcionamento do Universo.