Ciência

Dragões de 'A Casa do Dragão' conseguiriam voar? Ciência explica o que diz a física

Especialista em biomecânica analisou anatomia, peso e asas das criaturas e explica quais características seguem a ciência e quais desafiam as leis da física

Dragões de 'A Casa do Dragão': especialistas afirmam que o design busca equilíbrio entre ciência e fantasia para tornar as criaturas mais verossímeis (HBO/Reprodução)

Dragões de 'A Casa do Dragão': especialistas afirmam que o design busca equilíbrio entre ciência e fantasia para tornar as criaturas mais verossímeis (HBO/Reprodução)

Publicado em 18 de julho de 2026 às 07h45.

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Os dragões de "A Casa do Dragão" impressionam pelo tamanho, força e sequências de voo, mas, do ponto de vista da biomecânica, criaturas como Vhagar e Sheepstealer não conseguiriam sair do chão. Apesar disso, especialistas afirmam que a série da HBO utiliza diversos princípios científicos para fazer esses animais parecerem plausíveis ao público.

A avaliação é do biomecânico Michael Habib, pesquisador especializado em locomoção animal e consultor em projetos inspirados na biologia, em entrevista à revista Popular Science. Segundo ele, embora os dragões desafiem as leis da física, seu design foi desenvolvido para transmitir uma forte sensação de realismo.

O que impede os dragões de 'A Casa do Dragão' de voar?

De acordo com Habib, o principal obstáculo é a relação entre tamanho, peso e sustentação. Na avaliação do pesquisador, os dragões apresentados em "A Casa do Dragão" possuem corpos grandes demais para que suas asas consigam gerar sustentação suficiente.

Além disso, as longas caudas deslocariam o centro de gravidade para trás, dificultando o equilíbrio durante o voo.

Outro problema seria a resistência do próprio esqueleto. Para produzir força capaz de erguer animais desse porte, os ossos precisariam suportar cargas muito superiores às observadas em qualquer vertebrado voador conhecido.

Habib compara a situação a um avião comercial com as asas posicionadas no lugar errado: a distribuição do peso impediria a decolagem.

Como os criadores buscaram tornar os dragões convincentes

Apesar das limitações biomecânicas, os designers da série recorreram a características observadas em animais reais para construir criaturas mais verossímeis.

As asas foram inspiradas em morcegos, a caixa torácica lembra a das aves e partes do pescoço foram baseadas na anatomia do Tyrannosaurus rex. Já as escamas tiveram como referência lagartos atuais.

Além da anatomia, a produção também trabalhou a forma como os dragões se movimentam. Em vez de decolarem com facilidade, eles demonstram esforço para ganhar altitude, batem as asas com intensidade e parecem carregar grande massa corporal.

Para Habib, esse comportamento ajuda o cérebro do espectador a aceitar a fantasia porque transmite uma sensação de peso e inércia compatível com o tamanho dos animais.

Vhagar desafia ainda mais as leis da física

A série amplia o desafio ao apresentar dragões de diferentes tamanhos e formatos. Enquanto as três criaturas de "Game of Thrones" já haviam sido comparadas por seus criadores ao porte de um Boeing 747, Vhagar é descrita como ainda maior, superando várias vezes o tamanho dos animais montados por Daenerys Targaryen.

Estimativas feitas anteriormente por especialistas indicam que um dragão desse porte teria milhares de quilos e uma enorme envergadura de asas, tornando o voo ainda menos plausível sob as leis conhecidas da física.

Entre a fantasia e a ciência

Para os especialistas, o objetivo de produções como "A Casa do Dragão" não é reproduzir perfeitamente a biomecânica, mas criar criaturas suficientemente convincentes para manter a imersão do público.

Segundo Habib, existe um equilíbrio entre fidelidade científica e construção do universo fictício. Alterações excessivas para tornar os dragões biologicamente possíveis fariam com que eles deixassem de parecer dragões como o público os imagina há séculos.

A variedade de espécies apresentada na série da HBO também atende à narrativa da produção, que retrata uma época em que diferentes linhagens conviviam em Westeros. Assim, para a história, a diversidade visual dos dragões acaba sendo mais importante do que a precisão absoluta de sua capacidade de voar.

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