Colesterol: estudo liga partícula hereditária a maior risco de AVC (SCIEPRO/Getty Images)
Redatora
Publicado em 18 de maio de 2026 às 07h22.
Um tipo hereditário e pouco conhecido de colesterol pode aumentar significativamente o risco de AVC, morte cardiovascular e outras complicações cardíacas graves, mesmo em pessoas com níveis considerados normais nos exames tradicionais. Segundo cientistas da Society for Cardiovascular Angiography and Interventions, cerca de 20% das pessoas podem apresentar níveis elevados da partícula conhecida como Lp(a) sem saber.
Os dados foram apresentados durante as Sessões Científicas SCAI 2026 e divulgados pela ScienceDail após a análise de mais de 20 mil pacientes acompanhados em grandes estudos clínicos dos National Institutes of Health (NIH).
A Lp(a), ou lipoproteína(a), é uma partícula transportadora de colesterol presente na corrente sanguínea. Ela é semelhante ao colesterol LDL, conhecido como colesterol “ruim”, mas tem uma proteína adicional associada a maior risco cardiovascular.
Segundo os cientistas, níveis elevados de Lp(a) costumam ser hereditários e geralmente não provocam sintomas, fazendo com que muitas pessoas convivam com a condição sem diagnóstico.
Para investigar o impacto da Lp(a), os pesquisadores analisaram amostras de plasma de 20.070 adultos com mais de 40 anos que participaram dos estudos ACCORD, PEACE e SPRINT, conduzidos pelo NIH.
Os participantes foram divididos em grupos de acordo com os níveis de Lp(a) e com a presença ou ausência de doença cardiovascular prévia. Durante quase quatro anos de acompanhamento, a equipe monitorou eventos cardiovasculares graves, incluindo infarto, AVC, necessidade de procedimentos cardíacos e morte cardiovascular.
Os resultados mostraram que pacientes com níveis de partícula ligada ao colesterol iguais ou superiores a 175 nmol/L apresentaram risco significativamente maior de complicações cardiovasculares. Segundo a análise, esse grupo teve 31% mais risco de eventos cardiovasculares graves, 49% mais risco de morte cardiovascular e 64% mais risco de AVC.
A associação foi ainda mais forte entre participantes que já tinham doença cardíaca diagnosticada.
De acordo com os pesquisadores, um exame de sangue simples e de baixo custo pode detectar níveis elevados de Lp(a). O cardiologista intervencionista Subhash Banerjee afirmou ao Science Daily que identificar precocemente esse fator genético pode ajudar pacientes e médicos a controlar de forma mais agressiva outros fatores de risco cardiovascular, como colesterol LDL, hipertensão e diabetes.
Diante dos resultados, os cientistas afirmaram que novos tratamentos direcionados especificamente para a Lp(a) também estão em desenvolvimento.