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Mais de 900 focos ativos alimentam uma temporada de incêndios que já registra emissões comparáveis aos anos mais críticos em algumas regiões canadenses (AFP/AFP)
Repórter de ESG
Publicado em 18 de julho de 2026 às 09h00.
A fumaça produzida pelos incêndios florestais que atingem o Canadá deve continuar avançando pelo Atlântico Norte e pode alcançar a Europa nos próximos dias, segundo projeções do Copernicus Atmosphere Monitoring Service (CAMS), serviço europeu de monitoramento da atmosfera.
Enquanto isso, a poluição provocada pelas queimadas deteriora a qualidade do ar em amplas áreas do Canadá e do nordeste dos Estados Unidos, incluindo a região que receberá a final da Copa do Mundo da FIFA neste domingo.
Segundo o Copernicus, houve uma intensificação da atividade dos incêndios nas últimas semanas, especialmente na província de Ontário e nos Territórios do Noroeste. As plumas de fumaça já provocam impactos severos sobre a qualidade do ar em cidades da região dos Grandes Lagos e do nordeste americano.
"Nossas previsões mostram que a fumaça continuará se deslocando para o leste, atravessando o Atlântico Norte e potencialmente em direção à Europa, destacando a escala da poluição causada pelos incêndios florestais e como ela pode viajar milhares de quilômetros além das áreas atingidas pelo fogo", afirmou Mark Parrington, cientista sênior do CAMS.
Nos Territórios do Noroeste, as emissões acumuladas provocadas pelos incêndios até meados de julho já são comparáveis às registradas em 2023 e 2014, considerados alguns dos anos mais severos para a região. Em Ontário, uma frente de incêndios com cerca de 500 quilômetros de extensão, iniciada em 13 de julho, elevou a província ao maior volume anual estimado de emissões por queimadas até 16 de julho.
O monitoramento do Copernicus indica que a fumaça aumenta a concentração de material particulado fino (PM2.5), considerado um dos poluentes atmosféricos mais prejudiciais à saúde humana por penetrar profundamente nos pulmões, além de transportar outras substâncias tóxicas.
Estimativas citadas pelo serviço apontam que, durante a temporada histórica de incêndios no Canadá em 2023, cerca de 345 milhões de pessoas na América do Norte e na Europa foram expostas diariamente à poluição por PM2.5 associada às queimadas. A mesma temporada foi relacionada a aproximadamente 70.400 mortes.
A deterioração da qualidade do ar ocorre às vésperas da final da Copa do Mundo entre Argentina e Espanha, marcada para domingo no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey.
De acordo com a ABC News, autoridades acompanham os possíveis impactos da fumaça sobre o evento. Nova Jersey está entre os estados que emitiram alertas de qualidade do ar, enquanto Nova York também registrou avisos para níveis considerados prejudiciais à saúde.
Na quinta-feira, partes da cidade de Nova York registraram Índice de Qualidade do Ar (AQI) acima de 200, faixa classificada como "muito insalubre". Em entrevista à ABC News, o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, classificou a situação como "muito séria" e informou que máscaras passaram a ser distribuídas gratuitamente à população.
Na Filadélfia, as autoridades emitiram um alerta de emergência por qualidade do ar, informando que toda a população poderia sofrer efeitos negativos da elevada concentração de partículas na atmosfera.
Apesar das condições ambientais, fontes ouvidas pela ESPN afirmaram que a FIFA não considera a realização da final ameaçada. Segundo a emissora, a previsão meteorológica indica melhora gradual da qualidade do ar ao longo do fim de semana, embora ainda haja possibilidade de aumento da concentração de fumaça entre a noite de sexta-feira e a manhã de sábado.
Quase 900 incêndios florestais permanecem ativos no Canadá até a publicação desta reportagem.
A fumaça já percorre mais de 1.600 quilômetros, alcançando estados americanos entre Michigan, New Hampshire e Virgínia.
O Copernicus destaca que o episódio reforça a importância do monitoramento por satélite para acompanhar a dispersão transfronteiriça da fumaça e emitir previsões sobre seus impactos na qualidade do ar, uma vez que os poluentes podem viajar milhares de quilômetros e afetar regiões muito distantes da origem dos incêndios.