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Ultraprocessados: comidas podem aumentar risco de ataques cardíacos (Flavio Coelho/Getty Images)
Repórter
Publicado em 11 de maio de 2026 às 09h15.
Os alimentos ultraprocessados deixaram de ser apenas uma preocupação nutricional e passaram a ser tratados oficialmente como um possível fator de risco cardiovascular por especialistas europeus.
Um novo consenso clínico publicado no European Heart Journal concluiu que o consumo elevado de ultraprocessados está associado a aumento significativo no risco de doenças cardíacas, fibrilação atrial e morte por causas cardiovasculares.
O documento reúne evidências de todos os estudos disponíveis até agora sobre a relação entre alimentos ultraprocessados e saúde cardiovascular.
Segundo os pesquisadores, adultos que consomem mais ultraprocessados enfrentam até 19% mais risco de doença cardíaca, 13% mais risco de fibrilação atrial e até 65% mais risco de morte cardiovascular em comparação com aqueles que consomem menos.
O consenso foi produzido pelo Conselho para Prática Cardiológica da Sociedade Europeia de Cardiologia e pela Associação Europeia de Cardiologia Preventiva, com participação de pesquisadores de universidades e centros médicos da Itália.
Os autores afirmam que a associação entre ultraprocessados e doenças cardiovasculares já aparece de forma consistente em grandes populações analisadas ao longo da última década.
Mesmo assim, segundo o grupo, o tema ainda não foi incorporado de forma clara às recomendações médicas de rotina.
“Esperamos que este consenso ajude médicos a reconhecer ultraprocessados como um possível fator de risco e forneça orientações claras para reduzir o consumo”, afirmou a professora Luigina Guasti, da Universidade de Insubria, na Itália.
O documento recomenda que profissionais de saúde passem a perguntar especificamente sobre ingestão de ultraprocessados durante avaliações clínicas de dieta e estilo de vida.
Os especialistas também defendem atualização de guias alimentares nacionais, mudanças em rotulagem e maior conscientização pública.
Segundo o estudo, os ultraprocessados aumentam o risco cardiovascular principalmente por favorecer obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e acúmulo de gorduras prejudiciais na corrente sanguínea.
Os pesquisadores destacam que esses alimentos costumam apresentar altos níveis de açúcar, sal e gorduras consideradas não saudáveis.
Além disso, contêm aditivos industriais, contaminantes químicos e estruturas alimentares alteradas durante o processamento.
Para a pesquisadora Marialaura Bonaccio, do instituto italiano IRCCS Neuromed, esses fatores podem desencadear inflamação, alterações metabólicas, mudanças no microbioma intestinal e maior tendência ao consumo excessivo de calorias.
“O foco da prevenção não deve ser apenas nutrientes, mas também o grau de processamento dos alimentos”, afirmou.
Segundo o consenso, mesmo produtos com perfil nutricional considerado adequado podem apresentar efeitos negativos quando altamente processados.
Os dados compilados no relatório mostram que os ultraprocessados já representam mais da metade das calorias consumidas em alguns países europeus.
Na Holanda, eles correspondem a 61% da ingestão calórica total. No Reino Unido, 54%.
Os percentuais são menores em países com dieta mediterrânea mais preservada, como Espanha (25%), Portugal (22%) e Itália (18%).
Os pesquisadores afirmam que ainda faltam estudos clínicos de longo prazo para medir diretamente o impacto da redução de ultraprocessados sobre a saúde cardiovascular.
Mesmo assim, o grupo afirma que as evidências observacionais acumuladas já são suficientemente consistentes para justificar mudanças nas recomendações médicas e alimentares.
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