Poluição do ar: estudo associou a exposição prolongada a um maior risco de doença de Parkinson (Freepik)
Redatora
Publicado em 23 de julho de 2026 às 21h11.
A poluição do ar pode aumentar o risco de desenvolver a doença de Parkinson, segundo uma revisão científica que reuniu evidências de 26 estudos realizados em diferentes países. Os pesquisadores encontraram uma associação consistente entre a exposição prolongada a partículas finas presentes na atmosfera e um maior risco da doença neurodegenerativa.
Os resultados, publicados na revista Environment International, indicam que, para cada aumento de 5 microgramas por metro cúbico (µg/m³) na exposição de longo prazo ao material particulado fino (PM2,5), o risco de desenvolver Parkinson cresce cerca de 10%.
A revisão foi conduzida por pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que reuniram resultados de estudos anteriores para obter uma estimativa mais robusta da relação entre poluição atmosférica e doenças neurodegenerativas.
Ao todo, foram analisadas 26 pesquisas sobre doença de Parkinson, além de três estudos sobre esclerose múltipla e outros três sobre doença do neurônio motor.
Segundo os autores, combinar os dados permitiu reduzir as limitações de estudos individuais, que frequentemente apresentavam resultados divergentes ou inconclusivos.
A associação mais consistente foi observada com o PM2,5, formado por partículas microscópicas produzidas principalmente pela queima de combustíveis fósseis, emissões industriais e incêndios.
Essas partículas são pequenas o suficiente para penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea, podendo afetar diferentes órgãos, incluindo o cérebro.
Outro poluente associado ao aumento do risco foi o PM10, composto por partículas maiores, como poeira, fuligem, pólen, cinzas de incêndios e fumaça de motores a diesel.
Nesse caso, cada aumento de 15 µg/m³ na exposição prolongada esteve relacionado a um risco 18% maior de desenvolver Parkinson. Os pesquisadores também encontraram evidências de associação com o dióxido de nitrogênio (NO₂), emitido principalmente por veículos, e com o ozônio (O₃). Já para o dióxido de enxofre (SO₂) e o monóxido de carbono (CO), os resultados foram menos consistentes.
Os autores explicam que partículas muito pequenas conseguem atravessar as barreiras naturais do organismo depois de serem inaladas.
Uma vez no corpo, elas podem desencadear inflamação crônica e estresse oxidativo, processos que provocam danos às células e já são reconhecidos como fatores envolvidos no desenvolvimento de doenças neurodegenerativas.
Embora o aumento individual do risco seja relativamente pequeno, a equipe destaca que milhões de pessoas permanecem expostas diariamente à poluição atmosférica. Por isso, mesmo variações modestas podem representar um impacto importante na saúde pública.
Além do Parkinson, a revisão investigou uma possível relação entre a poluição do ar, a esclerose múltipla e a doença do neurônio motor. No entanto, os pesquisadores não encontraram evidências suficientemente consistentes de que a exposição ao PM2,5 ou ao dióxido de nitrogênio aumente o risco dessas doenças.
Segundo os autores, esse resultado deve ser interpretado com cautela, já que apenas três estudos estavam disponíveis para cada uma delas, quantidade considerada insuficiente para conclusões definitivas.
Além disso, os pesquisadores afirmam que a maioria dos estudos analisados foi realizada na América do Norte, Europa e Ásia, o que limita a aplicação dos resultados a outras regiões do mundo, por isso não comprova uma relação de causa e efeito.
Diante disso, os autores defendem novas pesquisas envolvendo populações mais diversas para identificar quais componentes da poluição representam maior risco ao sistema nervoso e compreender melhor os mecanismos envolvidos.