Ciência

Veoza: entenda como funciona o novo tratamento não hormonal para menopausa

Medicamento não hormonal foi desenvolvido para reduzir ondas de calor, fogachos e suores noturnos associados à menopausa

Menopausa: nova terapia atua em mecanismos cerebrais ligados ao controle da temperatura corporal (Freepik)

Menopausa: nova terapia atua em mecanismos cerebrais ligados ao controle da temperatura corporal (Freepik)

Publicado em 23 de junho de 2026 às 13h14.

As ondas de calor e os suores noturnos estão entre os sintomas mais comuns e incômodos da menopausa. Embora a terapia hormonal seja uma das opções mais utilizadas para controlar esses episódios, nem todas as mulheres podem ou desejam recorrer a esse tipo de tratamento.

Nesse cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na última segunda-feira, 22, o Veoza (fezolinetanto), um medicamento não hormonal desenvolvido especificamente para tratar sintomas vasomotores moderados a intensos associados à menopausa.

O diferencial do tratamento está na forma como ele atua: em vez de repor hormônios, o medicamento age diretamente nos mecanismos cerebrais envolvidos no controle da temperatura corporal.

Como funciona o Veoza, novo medicamento para menopausa?

Segundo informações divulgadas pela Astellas Farma, o Veoza contém a substância fezolinetanto, que atua bloqueando receptores da neurocinina 3 (NK3), molécula envolvida na regulação da temperatura corporal.

O especialista em saúde hormonal feminina e menopausa pela Harvard Medical School, Dr. Marcelo Bechara, explicou que, durante a menopausa, a queda dos níveis de estrogênio altera a atividade de neurônios localizados no hipotálamo, região do cérebro responsável pelo controle térmico do organismo.

Como consequência, o sistema passa a reagir de forma exagerada a pequenas variações de temperatura, favorecendo episódios repentinos de calor intenso e transpiração.

"Diferente da terapia hormonal, o fezolinetanto não atua por meio da reposição de estrogênio. Ele bloqueia os receptores da neurocinina 3 no cérebro, envolvidos na regulação da temperatura corporal", afirmou o especialista em entrevista à EXAME.

O médico destacou que essa é uma diferença importante em relação a outras alternativas não hormonais utilizadas atualmente para controlar os sintomas da menopausa.  "Ele não é antidepressivo e não é anticonvulsivante. Foi desenvolvido especificamente para agir nessa via relacionada aos fogachos", explicou.

Por que surgem as ondas de calor e os fogachos da menopausa?

Os fogachos são consequência das alterações hormonais que ocorrem durante a transição para a menopausa.

De acordo com Bechara, com a redução dos níveis de estrogênio, o centro de controle da temperatura corporal torna-se mais sensível. Isso faz com que pequenas mudanças térmicas sejam interpretadas pelo organismo como um superaquecimento, desencadeando respostas automáticas para resfriar o corpo.

Essas reações incluem sensação súbita de calor, vermelhidão da pele, suor excessivo, aumento dos batimentos cardíacos e, em alguns casos, calafrios logo após o episódio.

Segundo dados divulgados pela Astellas Farma, fabricante do Veoza, até 80% das mulheres entre 40 e 65 anos apresentam ondas de calor ou suores noturnos durante a menopausa.

O que mostraram os estudos clínicos?

A aprovação do medicamento pela Anvisa foi baseada no programa clínico BRIGHT SKY, que reuniu mais de 3 mil participantes na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá.

De acordo com os resultados divulgados pela empresa, o fezolinetanto reduziu a frequência e a intensidade das ondas de calor e dos suores noturnos, além de contribuir para melhorias no sono e na qualidade de vida das participantes.

Os estudos também avaliaram a segurança do tratamento em períodos mais prolongados de uso.

Quais são os efeitos colaterais do Veoza?

Para o médico, segundo os dados clínicos disponíveis até o momento, o medicamento apresentou perfil de segurança considerado favorável. Entre os eventos adversos mais frequentemente observados incluem dor de cabeça, fadiga, náusea, dor abdominal e alterações transitórias em exames relacionados à função hepática.

"O monitoramento da função do fígado é um ponto que merece atenção. Houve raros relatos de lesão hepática nos estudos, motivo pelo qual as agências regulatórias recomendam acompanhamento das enzimas hepáticas durante o tratamento, porque teve alguns raros relatos de lesão no fígado nos estudos, mas compensa usar", afirmou Bechara.

Apesar disso, o especialista destaca que os dados atuais apontam uma relação benefício-risco positiva para mulheres elegíveis ao tratamento.

Quando o Veoza estará disponível no Brasil?

Embora o medicamento já tenha recebido aprovação da Anvisa, ainda são necessárias etapas relacionadas à estratégia comercial, distribuição, precificação e disponibilidade no mercado brasileiro.

"A aprovação da Anvisa permite o registro sanitário no Brasil, mas ainda são necessárias etapas regulatórias e comerciais para o lançamento efetivo no mercado. O prazo pode variar, mas geralmente dura alguns meses", afirmou Bechara.

A chegada do Veoza amplia as opções de tratamento para menopausa disponíveis no país e oferece uma nova alternativa para mulheres que buscam controlar ondas de calor, fogachos e suores noturnos sem utilizar terapia hormonal.

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