Iniciativas corporativas buscam ampliar a presença feminina em cargos de liderança (Solar Coca-Cola/Divulgação)
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Publicado em 8 de março de 2026 às 07h00.
Última atualização em 9 de março de 2026 às 11h38.
Neste 8 de março, o mercado de trabalho brasileiro encara um desafio estrutural: de acordo com pesquisas da FGV, quase metade das mulheres é desconectada do mercado de trabalho até dois anos após o retorno da licença-maternidade.
Para reverter esse cenário e garantir um pipeline sustentável de futuras líderes, corporações estão investindo além da contratação.
O foco agora é na criação de condições reais de permanência, com apoio à maternidade, saúde e formação técnica em setores historicamente masculinos, como indústrias, mineração e tecnologia.
Conheça as iniciativas que estão fortalecendo a retenção e a base técnica feminina no país:
A Solar Coca-Cola, uma das maiores fabricantes do Sistema Coca-Cola no País, consolidou sua estratégia de equidade de gênero nas empresas, elevando a representatividade feminina de 18% (2022) para 26,2% em 2026.
O avanço é impulsionado pelo programa Sou Aprendiz Solar, com mais de 90% de participação feminina (700 jovens), e pelo Decola Tech, que terá 12 vagas de estágio afirmativo em tecnologia em 2026.
O movimento reflete na ocupação de áreas operacionais, com mulheres representando 32,7% na Indústria e 13,9% na Logística, elevando a liderança feminina a 28,6%.
Para retenção, o programa Mamães Solares oferece licença-maternidade de 180 dias e salas de amamentação em 100% do território até 2026, garantindo 100% de retorno ao trabalho.
Segundo Emiliana Albanaz, diretora de RH da empresa: “O principal desafio ainda é a desigualdade estrutural na divisão das responsabilidades domésticas e de cuidado, que sobrecarrega as mulheres e impacta sua permanência na alta liderança. Por isso, o papel das empresas é decisivo: criar condições reais de equidade, com políticas de saúde, bem-estar e apoio emocional, para que o talento feminino consiga permanecer, crescer e ocupar posições estratégicas de forma sustentável.”
A Alcoa, uma das maiores líderes globais no setor de alumínio, reforça continuamente seu compromisso com a igualdade de gênero na indústria.
Atualmente, 34% das posições de liderança são ocupadas por mulheres em suas operações e escritórios no Brasil.
Para a Alcoa, ampliar a representatividade feminina vai além de metas numéricas. A companhia investe de forma contínua em políticas e práticas de inclusão como a edição 2026 do Programa Trainee afirmativo para mulheres.
“A Alcoa oferece muitas oportunidades: entrei como Jovem Aprendiz em um programa exclusivo para mulheres e, posteriormente, fui efetivada na área onde atuo hoje. Operar equipamentos em um ambiente majoritariamente masculino é desafiador, mas, ao mesmo tempo, gratificante e motivador”, afirma Giovana Fonseca, operadora de máquinas em Poços de Caldas.
A companhia também investe em grupos de inclusão que promovem o diálogo e a escuta ativa em um ambiente de trabalho diverso e acolhedor para todas as pessoas.
Entre as iniciativas, destaca-se a AWN (Alcoa Women's Network), ou Rede de Mulheres da Alcoa, que existe há mais de 20 anos e trabalha em parceria com RH e liderança inspirando mulheres a atingirem suas metas de carreira e impulsionando a equidade de gênero.
O crescimento organizacional da A&M vem acompanhado da evolução da participação feminina.
Entre as iniciativas está o Conectando Mulheres - rede de mais de 500 profissionais que se desdobra em frentes como o comitê Elas por Elas, de fomento à geração de novos negócios por meio de networking, estratégia go-to-market e presença de mulheres em quadros de liderança.
Já no Delas para Elas, diretoras mentoram mulheres para aceleração de carreiras, enquanto no Na Roda com Elas uma líder e colaboradoras compartilham experiências.
No Elas em Jogo o foco é o desenvolver lideranças femininas por meio de análise de indicadores, treinamentos e sessões estratégicas de desenvolvimento.
Lilian Giorgi, Managing Director da A&M, destaca a importância de alinhar o desenvolvimento dos negócios à expressão das individualidades.
“Minha dica é: não tentem se encaixar em um modelo que não foi pensado para vocês. O ambiente corporativo e de consultoria ainda é majoritariamente masculino, mas isso não significa que exista uma única forma ‘certa’ de liderar, se posicionar ou ter sucesso. Autenticidade, preparo técnico e rede de apoio fazem muita diferença. Competência não precisa vir acompanhada de dureza, a diversidade de estilos torna os times mais fortes e os resultados melhores”, finaliza.
O número de mulheres que contrataram seguro de vida na Prudential do Brasil triplicou desde 2015.
Já nos últimos cinco anos, a busca por proteção financeira para doenças graves dobrou, e o câncer de mama respondeu por 40% dos pagamentos de benefícios às clientes.
Desde 2019, em casos de câncer de mama em estágio avançado, a empresa concede um adicional de 50% ao capital segurado contratado por meio do seguro Doenças Graves Modular.
Com o produto Minha Primeira Proteção, primeiro seguro infantil do mercado contra doenças graves, mães também podem custear despesas médicas, tratamentos e até contratar auxílio, sem comprometer a renda familiar.
Internamente, mais de 60 colaboradoras participam do programa de Liderança Feminina, criado em 2022, com duração de oito meses e foco no desenvolvimento profissional e pessoal.
A empresa integra o Programa Empresa Cidadã, oferecendo licença-maternidade de seis meses e ações anuais de prevenção à saúde da mulher, com exames gratuitos, incluindo a detecção precoce do câncer de mama.
Além disso, adota políticas de enfrentamento à violência doméstica, garantindo suporte às vítimas e um ambiente de trabalho seguro e responsável.
A Lhoist, referência mundial em cal e minerais, destaca a realização da segunda turma do Programa Jovem Aprendiz, no qual 40 vagas foram destinadas exclusivamente para mulheres em Minas Gerais.
Desenvolvido em parceria com o Senai, o programa oferece formação técnica e prática em ambiente industrial ao longo de dois anos, combinando aulas teóricas com experiência supervisionada nas unidades da empresa.
Voltada a jovens de 18 a 24 anos com ensino médio completo, incluindo candidatas com deficiência, a iniciativa já apresenta resultados concretos, com participantes da primeira edição integrando o quadro da companhia.
Segundo Marlus Teixeira, vice-presidente de Recursos Humanos da Lhoist, a iniciativa reforça o compromisso da empresa com a formação técnica feminina no setor industrial.
“Acreditamos que ampliar o acesso das mulheres à qualificação é essencial para fortalecer a indústria e preparar uma nova geração de profissionais altamente capacitadas. Quando investimos em formação, investimos também no desenvolvimento das comunidades onde atuamos”, afirma.
A Acelen Renováveis alcançou 36,5% de presença feminina em seu quadro de colaboradores, superando a média histórica do agronegócio nacional, que gira em torno de 28%.
O Acelen Agripark, o centro de tecnologia e inovação agroindustrial, em Montes Claros (MG), conta com 139 empregados, dos quais 52 são mulheres, atuando em diferentes áreas da cadeia produtiva da macaúba, matéria-prima para biocombustíveis como SAF e diesel renovável.
De acordo com a diretora de RH, Priscila Medeiros, "o protagonismo feminino reflete o caráter inovador e sustentável do projeto, apoiado por políticas de equidade, como programa de atração com foco em gênero e licença-maternidade estendida.
As colaboradoras atuam desde funções operacionais a cargos de supervisão e já contribuíram em feitos como a primeira extração industrial de óleo de macaúba, consolidando o papel do Agripark na transição energética".
A Elea Data Centers se destaca como uma referência em diversidade de gênero no setor de infraestrutura digital, historicamente dominado por homens.
Com 35% das posições de liderança ocupadas por mulheres, a companhia possui metas ambiciosas de alcançar 40% até 2027 e 42% até 2029, oficializadas por meio de green bonds.
Além disso, 100% do time de vendas é liderado por mulheres, e elas são cruciais na estratégia de expansão internacional da Elea - as duas primeiras executivas internacionais da empresa, principais responsáveis por essa expansão, são mulheres.
Um caso prático na companhia é o de Crislaine Corradine, promovida a Chief Business Support Officer durante sua licença maternidade, com um plano que envolveu a aceleração da criação do novo posto C-level, permitindo que ela retornasse ao trabalho já com a nova estrutura montada.
Crislaine compartilha que, apesar dos desafios, pôde contar com uma rede de apoio robusta, dentro quanto fora da empresa. "Na Elea, encontrei um ambiente que respeita meu momento de vida e me dá tranquilidade para priorizar a minha família", afirma.
O estudo SIM Brasil revela que 2 em cada 3 brasileiras sofrem com desconfortos gastrointestinais e, no mês do Dia Internacional da Mulher, a importância do equilíbrio da microbiota intestinal ganha ainda mais relevância.
A pesquisa destaca que 69% das mulheres relatam prejuízos no humor e 66% na concentração no trabalho.
Fatores hormonais e o estresse da rotina urbana potencializam condições como a Síndrome do Intestino Irritável (SII), que afeta duas vezes mais as mulheres do que os homens.
Como solução, o uso de probióticos específicos, como o Bifidobacterium lactis CNCM I-2494, encontrado nos produtos Activia, marca de iogurtes probióticos da Danone, demonstra redução significativa de inchaço e dores abdominais a partir de duas semanas de consumo.
Com respaldo científico e chancela da Anvisa, os probióticos de Activia são eficazes e apoiam a melhora desses e outros desconfortos gastrointestinais.
A nutricionista Bianca Naves reforça o impacto negativo na qualidade de vida das mulheres, evidenciado por estudos como o SIM Brasil, e reitera a necessidade de um plano alimentar rico em fibras e probióticos para garantir mais vitalidade e bem-estar ao público feminino.
Na Philip Morris International (PMI), 42,3% das posições de gestão são global já são ocupadas por mulheres, e o índice de lideranças femininas alcança 41,8% - reflexo de uma estratégia que conecta diversidade à governança e ao desenvolvimento de talentos.
A companhia projeta ainda uma representação mínima de 40% de qualquer gênero em todas as suas funções e regiões, elevando para 35% a presença feminina na liderança sênior.
A trajetória de Clarissa Prass, vice-presidente de Operações para a América Latina, ilustra esse movimento em um setor historicamente dominado por homens.
Com 24 anos de carreira na companhia, a executiva iniciou sua trajetória na área de controle de qualidade e avançou gradualmente na estrutura da empresa até alcançar uma posição regional de alta liderança.