Ciência

Fábrica de macarrão escondia necrópole de 2,5 mil anos na Itália

Arqueólogos encontraram 85 sepultamentos e objetos que ajudam a reconstruir a história da Campânia antiga

Necrópole: escavações revelaram túmulos e objetos preservados por cerca de 2,5 mil anos (Superintendência ABAP de Nápoles)

Necrópole: escavações revelaram túmulos e objetos preservados por cerca de 2,5 mil anos (Superintendência ABAP de Nápoles)

Publicado em 23 de julho de 2026 às 21h04.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreArqueologia
Saiba mais

Uma obra de ampliação de uma tradicional fábrica de macarrão na Itália levou arqueólogos a uma descoberta inesperada: uma necrópole de cerca de 2,5 mil anos com dezenas de túmulos e objetos excepcionalmente preservados.

Ao todo, os pesquisadores identificaram 85 sepultamentos e centenas de artefatos, incluindo cerâmicas, armas, joias de bronze e âmbar, além de tecidos, cestos e peças de madeira — materiais orgânicos que normalmente desaparecem com o passar dos séculos.

Segundo o Heritage Daily, autoridades italianas afirmam que a descoberta está entre as mais importantes feitas recentemente na região da Campânia e evidencia a importância das escavações arqueológicas realizadas antes de grandes obras.

Descoberta aconteceu durante ampliação de fábrica de massas

O sítio arqueológico foi localizado na cidade de Gragnano, conhecida mundialmente por sua tradição na produção de massas.

A necrópole apareceu durante as obras de expansão da histórica Pastificio Garofalo, acompanhadas pelo programa italiano de arqueologia preventiva, que exige escavações antes da execução de projetos de infraestrutura em áreas com potencial histórico.

Os arqueólogos identificaram um conjunto de câmaras funerárias do período Arcaico, datadas de aproximadamente 2,5 mil anos, oferecendo uma rara oportunidade para estudar a organização social e os rituais funerários da época.

Objetos raros sobreviveram por mais de dois milênios

Entre os materiais encontrados estão vasos de cerâmica, armas, ornamentos de bronze e âmbar, além de objetos muito mais incomuns para esse período, como tecidos, cestos de fibras vegetais e peças de madeira.

A preservação desses materiais chamou a atenção dos pesquisadores uma vez que itens orgânicos normalmente se decompõem completamente após tantos séculos.

Segundo os arqueólogos, isso foi possível porque os sepultamentos estavam protegidos em câmaras construídas com blocos de tufo vulcânico, uma rocha abundante na região. O ambiente fechado reduziu a ação da umidade e do oxigênio, preservando materiais que raramente chegam aos dias atuais.

Achados revelam contatos entre diferentes povos do Mediterrâneo

Além dos objetos produzidos localmente, a equipe encontrou artefatos vindos de regiões distantes, incluindo escaravelhos egípcios e peças atribuídas aos etruscos. Esses materiais indicam que Gragnano integrava uma ampla rede de comércio e intercâmbio cultural no Mediterrâneo durante o século 6 a.C.

Os pesquisadores também identificaram evidências de interação entre as populações nativas da Campânia, comunidades etruscas e colônias gregas estabelecidas no sul da Península Itálica, revelando um cenário de intensas trocas econômicas e culturais.

Restos humanos ainda serão analisados

A partir disso, os cientistas vão continuar estudando os restos humanos e os objetos recuperados. As análises podem revelar informações sobre a alimentação, o estado de saúde, a mobilidade das populações, a organização social e os costumes funerários de quem viveu na região há cerca de 2,5 mil anos.

Segundo os arqueólogos, os resultados também poderão ampliar o conhecimento sobre as relações comerciais e culturais existentes entre diferentes civilizações do Mediterrâneo durante o período Arcaico.

Acompanhe tudo sobre:ArqueologiaItáliaCuriosidades

Mais de Ciência

Quanto vale o Nobel de Medicina? Veja os vencedores e o valor da premiação

Cientistas descobrem 'vício em energia' de células que impulsionam câncer no sangue

Novo telescópio da Nasa abre 'olho' para observar exoplanetas

Hipertensão 'silenciosa': quase 6 em cada 10 pessoas não sabem que têm pressão alta