Lua: cientistas propõem procurar partículas artificiais microscópicas no solo lunar em busca de possíveis tecnoassinaturas (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
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Publicado em 30 de setembro de 2026 às 18h40.
Partículas microscópicas deixadas por antigas civilizações extraterrestres podem ter atravessado a galáxia e chegado até a Lua, segundo uma hipótese apresentada por pesquisadores ligados à busca por inteligência extraterrestre.
A proposta aparece em um estudo ainda em processo de revisão por pares para a revista International Journal of Astrobiology. O trabalho foi liderado por Lewis Pinault, pesquisador ligado ao Instituto SETI e ao Birkbeck College, da Universidade de Londres.
A ideia parte da possibilidade de que estruturas construídas por civilizações tecnológicas em outros sistemas estelares se desgastem ao longo do tempo e liberem fragmentos extremamente pequenos no espaço.
Essas partículas poderiam se espalhar pela galáxia e, em alguns casos, atravessar o Sistema Solar. Parte delas talvez sobrevivesse ao impacto com a superfície lunar e permanecesse preservada no solo.
Os pesquisadores modelaram como partículas liberadas por estruturas tecnológicas poderiam se deslocar pelo espaço ao longo do tempo. O processo teria paralelo com algo já observado na tecnologia humana. Satélites e outros equipamentos produzidos na Terra também liberam material microscópico à medida que sofrem desgaste.
A equipe propõe que uma civilização avançada poderia produzir grandes quantidades de resíduos ao longo de sua existência. Caso desaparecesse, sua infraestrutura continuaria se deteriorando e liberando partículas.
Os cientistas chamaram esses fragmentos hipotéticos de "partículas de Arkhipov", em homenagem ao pesquisador ucraniano Alexey V. Arkhipov, que na década de 1990 sugeriu que a Lua poderia acumular artefatos de origem extraterrestre. As partículas estudadas teriam dimensões de poucos mícrons, comparáveis ao tamanho de uma bactéria.
A Lua é vista pelos pesquisadores como um possível local de acúmulo de materiais que atravessaram o Sistema Solar. Como parte dessas partículas poderia permanecer preservada no solo lunar, os cientistas sugerem analisar amostras em busca de tecnoassinaturas, sinais que possam indicar a presença de tecnologia produzida por uma civilização.
Os cientistas argumentam que procurar artefatos tecnológicos pode complementar estratégias mais tradicionais, como a busca por sinais de rádio provenientes de outros sistemas estelares.
Para testar a hipótese, a equipe propõe uma missão capaz de analisar aproximadamente 1 metro cúbico de solo lunar. O material seria peneirado e examinado por instrumentos especializados em busca de partículas com características artificiais, como determinados metais ou outras substâncias manufaturadas.
Modelos computacionais também poderiam ajudar a identificar estruturas incomuns. Pinault já trabalha com sistemas destinados a localizar objetos artificiais maiores na superfície da Lua, incluindo possíveis restos ainda não encontrados de missões espaciais. Uma abordagem semelhante poderia ser adaptada para procurar grãos microscópicos.
Encontrar uma partícula artificial, entretanto, não significaria automaticamente descobrir tecnologia extraterrestre.
Décadas de exploração espacial deixaram diferentes equipamentos e fragmentos de espaçonaves na superfície da Lua. Por isso, partículas microscópicas produzidas por missões humanas também podem estar presentes no solo.
Caso um material aparentemente artificial fosse encontrado, seria necessário analisar sua composição química para tentar determinar sua origem. Mesmo assim, seriam preciso outras verificações antes de classificá-lo como uma tecnoassinatura alienígena.
Os próprios pesquisadores reconhecem que localizar um vestígio extraterrestre em uma pequena amostra de solo lunar seria extremamente improvável. Ian Crawford, professor de ciência planetária no Birkbeck College e coautor do estudo, comparou a busca a procurar uma "agulha no palheiro".
A equipe também considera uma hipótese ainda mais especulativa. Civilizações extraterrestres poderiam ter enviado pequenas máquinas autônomas para explorar outros sistemas estelares.
Esses dispositivos hipotéticos foram chamados de "partículas de Bracewell", em referência ao físico Ronald Bracewell, que propôs a possibilidade de sondas alienígenas autônomas na década de 1960. Por enquanto, não há evidências de que partículas de Arkhipov ou de Bracewell existam.