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Repórter
Publicado em 21 de junho de 2026 às 10h59.
Envelhecer não significa necessariamente perder capacidades físicas e cognitivas. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Yale concluiu que 45% dos adultos com 65 anos ou mais apresentaram melhora física, mental ou em ambas as dimensões ao longo do tempo.
Os resultados desafiam uma das crenças mais difundidas sobre o envelhecimento: a de que o avanço da idade leva inevitavelmente a uma trajetória contínua de declínio.
A pesquisa analisou dados de mais de 11 mil participantes do Health and Retirement Study, um levantamento de longo prazo sobre envelhecimento financiado pelo governo dos Estados Unidos. Os voluntários foram acompanhados por até 12 anos.
Durante esse período, cerca de 32% registraram melhora em testes cognitivos, enquanto 28% apresentaram avanços físicos medidos pela velocidade da caminhada, um indicador amplamente utilizado por geriatras para avaliar saúde geral, risco de hospitalização e mortalidade.
"O que descobrimos é que a melhora na velhice não é rara. Ela é comum e deve fazer parte da nossa compreensão do processo de envelhecimento", afirmou Becca R. Levy, professora da Escola de Saúde Pública de Yale e autora principal do estudo.
Segundo os pesquisadores, a percepção de declínio constante pode ser resultado da forma como os dados sobre envelhecimento costumam ser analisados.
Quando todos os participantes são agrupados em médias populacionais, a tendência geral aponta para perda de desempenho físico e cognitivo. Mas a análise individual mostrou um cenário mais diverso.
"Se você calcula a média de todos, vê declínio. Mas quando observa as trajetórias individuais, encontra uma história muito diferente", disse Levy.
Além dos participantes que melhoraram, os pesquisadores observaram que muitos mantiveram suas capacidades cognitivas estáveis ao longo dos anos.
Quando esse grupo é incluído na análise, mais da metade dos idosos não apresentou a deterioração cognitiva normalmente associada ao envelhecimento.
O estudo também investigou por que alguns participantes melhoraram enquanto outros não.
Os resultados indicaram que pessoas com percepções mais positivas sobre o envelhecimento tiveram probabilidade significativamente maior de apresentar ganhos cognitivos e físicos.
A associação permaneceu mesmo após ajustes para fatores como idade, sexo, escolaridade, doenças crônicas, depressão e tempo de acompanhamento.
Segundo os autores, os achados reforçam a teoria da incorporação dos estereótipos, desenvolvida por Levy. A hipótese sugere que mensagens absorvidas ao longo da vida sobre o envelhecimento podem influenciar comportamentos, respostas biológicas e resultados de saúde.
Pesquisas anteriores da mesma autora já haviam associado crenças negativas sobre envelhecer à pior memória, à redução da velocidade da caminhada, ao maior risco cardiovascular e aos biomarcadores relacionados à doença de Alzheimer.
Os ganhos observados não ficaram restritos a participantes que iniciaram o estudo com limitações físicas ou cognitivas.
Mesmo idosos que apresentavam níveis considerados normais de funcionamento no início do acompanhamento registraram avanços ao longo dos anos.
Para os pesquisadores, o resultado sugere que a melhora observada não representa apenas recuperação após doenças ou lesões, mas pode refletir uma capacidade de adaptação e desenvolvimento que permanece presente em fases mais avançadas da vida.
"Nossos resultados sugerem que frequentemente existe uma reserva de capacidade para melhora na velhice", afirmou Levy. "E como as crenças sobre o envelhecimento podem ser modificadas, isso abre espaço para intervenções tanto no nível individual quanto no social."
Os autores defendem que os resultados podem ajudar a reformular a forma como a sociedade encara o envelhecimento e reforçam a importância de investimentos em prevenção, reabilitação e promoção da saúde para a população idosa.