Ciência

Esqueleto de T-Rex é vendido por valor recorde e preocupa cientistas

Especialistas alertam que leilões milionários de fósseis podem limitar pesquisas e dificultar o acesso de museus aos exemplares

T-Rex: cientistas alertam que a venda de fósseis para coleções privadas pode limitar o avanço das pesquisas sobre dinossauros (Matthew Sherman/Sotheby's/Divulgação)

T-Rex: cientistas alertam que a venda de fósseis para coleções privadas pode limitar o avanço das pesquisas sobre dinossauros (Matthew Sherman/Sotheby's/Divulgação)

Publicado em 14 de julho de 2026 às 20h42.

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Um dos maiores e mais completos esqueletos de T. rex já encontrados foi vendido nesta terça-feira, 14, pela Sotheby's, em Nova York, por US$ 50,1 milhões (cerca de R$ 256,5 milhões). O valor superou com folga a estimativa inicial da casa de leilões, que variava entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões.

Antes mesmo da venda, paleontólogos já manifestavam preocupação com o destino do fóssil. Em reportagem publicada pelo The Guardian, especialistas afirmaram que a comercialização de exemplares raros pode dificultar o acesso da comunidade científica a materiais fundamentais para pesquisas e novas descobertas.

Leilão coloca fóssil raro entre os mais valiosos do mundo

O esqueleto, apelidado de Gus, pertence a um Tiranossauro Rex que viveu há cerca de 67 milhões de anos, de acordo com o anúncio do leilão. Com cerca de 3,8 metros de altura quando montado em posição de predador, o exemplar é considerado um dos mais completos já descobertos para a espécie.

Os restos fossilizados foram encontrados em 2021 em uma fazenda no condado de Harding, no estado americano da Dakota do Sul. A escavação foi realizada ao longo de três anos por uma empresa especializada, com autorização do proprietário do terreno, Gary "Gus" Licking, que inspirou o nome do dinossauro.

Com o resultado do leilão, Gus tornou-se um dos fósseis mais valiosos já negociados. O valor ultrapassou inclusive o recorde anterior da própria Sotheby's, que em 2024 vendeu o estegossauro Apex por US$ 44,6 milhões, de acordo com a AFP.

Por que cientistas criticam a venda de fósseis?

Para paleontólogos, o principal problema não é a descoberta por empresas privadas, mas o destino dos fósseis após a venda. Richard Butler, paleontólogo da Universidade de Birmingham, afirmou ao jornal britânico que um fóssil fora de uma coleção reconhecida de museu pode se tornar inacessível para pesquisadores.

Segundo ele, o aumento dos preços faz com que museus e universidades tenham cada vez mais dificuldade para disputar exemplares desse porte em leilões internacionais.

Stephen Brusatte, da Universidade de Edimburgo, também alertou que apenas compradores muito ricos conseguem pagar valores dessa magnitude, reduzindo as chances de instituições científicas adquirirem fósseis de grande importância.

Acesso aos fósseis é essencial para novas pesquisas

Os especialistas explicam que fósseis funcionam como registros científicos permanentes e precisam permanecer disponíveis para que outros pesquisadores possam verificar estudos anteriores e realizar novas análises.

Thomas Carr, professor do Carthage College, afirmou que permitir o acesso temporário de cientistas a um fóssil pertencente a um colecionador não resolve o problema. Como o proprietário pode retirar o exemplar de um museu a qualquer momento, não existe garantia de acesso contínuo para futuras pesquisas.

Essa preocupação também se reflete nas publicações científicas. Muitas revistas exigem que estudos sejam baseados em fósseis preservados em coleções públicas permanentes, garantindo que outros pesquisadores possam consultar o mesmo material.

Nem toda coleção particular impede a pesquisa

Os especialistas reconhecem que existem exceções. Um exemplo citado é o do estegossauro Apex, comprado pelo empresário Ken Griffin e posteriormente emprestado por quatro anos ao Museu Americano de História Natural, em Nova York.

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