Quem é Kenneth Griffin, o trader que conseguiu superar Warren Buffett

Nos primeiros seis meses do ano, a gestora Citadel Securities superou em termos de resultados a Berkshire Hathaway, de Warren Buffett
Kenneth Griffin, CEO da Citadel (Bloomberg/Getty Images)
Kenneth Griffin, CEO da Citadel (Bloomberg/Getty Images)
Carlo Cauti
Carlo Cauti

Publicado em 26/08/2022 às 17:01.

Última atualização em 26/08/2022 às 17:52.

Seu nome não é tão famoso como o de Warren Buffett, mas Kenneth Griffin se tornou o investidor que mais ganhou dinheiro em Wall Street no primeiro semestre deste ano.

Segundo os dados da Bloomberg, a Citadel Securities, a gestora de Griffin, ganhou US$ 4,2 bilhões como lucro das atividades de trading. Um valor equivalente a US$ 23,3 milhões por dia ou US$ 16 mil por minuto.

Um resultado que consagra o décimo trimestre consecutivo de resultados positivos do investidor, todos com lucros superiores ao bilhão de dólares.

Entre janeiro e junho a receita líquida da Citadel aumento 23% na comparação com o mesmo período de 2021.

Um desempenho oposto foi o da Berkshire Hathaway (BERK34), a holding do megainvestidor Warren Buffett, que no dia 30 de junho de 2022 registrou prejuízo de US$ 47,3 bilhões, e queda de 20% em sua carteira, que passou dos US$ 364 bilhões para US$ 300 bilhões.

Buffett continua com patrimônio maior do que Griffin

Claro, isso não é suficiente para que Griffin ultrapasse Buffett no ranking de bilionários da Forbes, onde o "Oráculo de Omaha" está em quinto lugar com US$ 118 bilhões enquanto Griffin está em 53º lugar com US$ 27,8 bilhões.

Mas Griffin ganha dinheiro de forma diferente do investidor mais famoso do mundo, ícone do "buy and hold", que completará 92 anos no dia 30 de agosto.

Buffett baseia seus lucros em uma carteira de ações composta de cerca de três quartos dos papéis de cinco grandes nomes:

  • Apple (APPL34),
  • Bank of America (BOAC34),
  • Coca Cola (COCA34),
  • Chevron (CHVX34),
  • American Express (AXPB34),

todos investimentos de longo prazo que Buffett escolheu na base de uma análise fundamentalista.

Griffin, por sua vez, prospera graças ao trading. A Citadel Securities gerencia 40% do volume de ordens de negociação de ações nos Estados Unidos.

Além de fornecer liquidez, a empresa permite que os investidores possam realizar transações em suas plataformas tanto para clientes de varejo quanto institucionais, com as corretoras online que enviam os fluxos de pedidos, também com negociação automática de alta frequência.

Uma prática controversa porque os intermediários vendem suas ordens para a empresa que oferece um valor mais elevado, e não necessariamente para a empresa que garante a melhor execução.

Também por isso que, em 2017, a Citadel recebeu uma multa de US$ 22,6 milhões da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês, por enganar clientes sobre o preço das transações.

Todavia, a gestora continua operando e foi graças à volatilidade dos primeiros meses do ano que a Citadel aumentou sua receita. Quanto mais voláteis os mercados, maior a negociação, maior os ganhos.

Quem é Kenneth C. Griffin?

De família irlandesa, Griffin nasceu nascido em 1968 em Daytona Beach, Flórida. Estudou economia em Harvard e em 1987, quando ainda era um estudante, criou seu primeiro fundo de investimento alternativo em uma das salas da faculdades, usando como capital inicial o dinheiro obtido de sua avó, amigos e conhecidos.

Ele teria montado uma antena na laje do dormitório dos estudantes para poder realizar operações de trading do mercado de ações dos EUA.

Em 1990, com apenas 22 anos, Ken se mudou para Chicago, onde fundou o fundo de hedge, Citadel llc, e depois a Citadel Securities, da qual detém mais de 75% do capital.

O bilionário tem uma paixão por belas casas e arte. Seu patrimônio imobiliário pessoal ultrapassa US$ 1 bilhão e sua coleção de pinturas, que inclui obras de artistas do calibre de Cézanne, Basquiat, Warhol, Pollock ou Jasper Johns, está avaliada em US$ 800 milhões.

Mas também é um grande filantropo. Doou sobretudo para instituições artísticas como o Museu de Arte Contemporânea de Chicago. Entretanto, o que ganhou as manchetes dos jornais foi outra doação: depois de ganhar dois ingressos para voar no foguete espacial Blue Origin em um leilão de Jeff Bezos, pagando US$ 8 milhões, Griffin decidiu doar a viagem ao espaço para dois professores americanos.