Ciência

Túmulo de 'príncipe guerreiro' de 2.500 anos é descoberto na Itália

Achado inclui capacete, vasos e uma carruagem preservada, trazendo novas pistas sobre os antigos Picenos

'Príncipe guerreiro': arqueólogos escavam a carruagem encontrada no túmulo de 2.500 anos (Soprintendenza Archeologia Belle Arti e Paesaggio per le provinc/Divulgação)

'Príncipe guerreiro': arqueólogos escavam a carruagem encontrada no túmulo de 2.500 anos (Soprintendenza Archeologia Belle Arti e Paesaggio per le provinc/Divulgação)

Publicado em 9 de julho de 2026 às 09h06.

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Arqueólogos descobriram na costa do Mar Adriático, na Itália, o túmulo de um "príncipe guerreiro" que viveu há cerca de 2.500 anos. O sepultamento, que preservava uma carruagem de madeira de duas rodas, armas e vasos de bronze, faz parte de um cemitério pertencente aos picenos, um povo pré-romano sobre o qual ainda existem poucos registros históricos.

A descoberta foi anunciada pela Superintendência de Arqueologia, Belas Artes e Paisagem das Províncias de Ancona, Pesaro e Urbino na última semana. Segundo os pesquisadores, o sítio arqueológico oferece novas pistas sobre os rituais funerários e a organização da elite dos picenos, civilização que ocupava parte da costa leste da Itália no século VI a.C.

O que foi encontrado no túmulo do príncipe guerreiro

No centro de uma grande estrutura circular delimitada por uma paliçada de madeira, os arqueólogos encontraram o túmulo de um homem enterrado ao lado de um currus, uma carruagem de madeira de duas rodas preservada no local desde o sepultamento.

O guerreiro também foi enterrado com um capacete, um machado e diversos recipientes de bronze fechados com tampas de cerâmica. Os vasos continham restos orgânicos que agora serão analisados e podem representar vestígios de um banquete funerário ou oferendas deixadas para a vida após a morte.

Túmulo feminino também chamou a atenção

Ao lado do sepultamento masculino, a equipe identificou o túmulo de uma mulher enterrada com tecidos, calçados e numerosas fíbulas — peças metálicas utilizadas para prender roupas e mantos na Antiguidade.

Entre os objetos encontrados havia uma grande fíbula ornamentada com âmbar, posicionada próxima à cabeça da mulher, possivelmente como parte de um penteado ou adorno pessoal.

Segundo os arqueólogos, esse sepultamento está próximo do chamado "Túmulo da Rainha", descoberto em 1989 na mesma região, onde outra mulher da elite picena foi enterrada com duas carruagens, duas mulas e diversos objetos de prestígio.

Túmulo da mulher - Foto: Divulgação/Soprintendenza Archeologia Belle Arti e Paesaggio per le province di Ancona e Pesaro Urbino

Túmulo da mulher - Foto: Divulgação/Soprintendenza Archeologia Belle Arti e Paesaggio per le province di Ancona e Pesaro Urbino

Descoberta revela características inéditas dos picenos

Os pesquisadores destacam que o novo cemitério apresenta diferenças importantes em relação a outros sítios funerários conhecidos dos picenos.

Enquanto necrópoles descobertas anteriormente eram cercadas por fossos, este complexo foi construído sobre uma pequena colina e delimitado por uma paliçada de madeira, estrutura que pode ter reforçado seu caráter monumental e simbólico.

Segundo o arqueólogo Stefano Finocchi, responsável pela escavação, esta é a primeira vez que um núcleo aristocrático completo dos picenos é identificado, oferecendo uma oportunidade inédita para compreender a organização das elites dessa sociedade pré-romana.

Quem eram os picenos?

Os picenos, também conhecidos como picentes, habitavam a costa leste da atual Itália durante o século VI a.C., fazendo fronteira com os etruscos.

Como deixaram poucos registros escritos, grande parte do conhecimento sobre essa civilização vem das escavações arqueológicas realizadas na região.

De acordo com os pesquisadores, a quantidade e a qualidade dos objetos encontrados indicam que os grupos dominantes dos picenos mantinham uma ampla rede de contatos com importantes centros da Itália central, revelando conexões políticas, comerciais e culturais muito mais complexas do que se imaginava anteriormente.

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