Ciência

Fóssil perdido por décadas revela 'segredo' do maior tubarão da história

Vértebras esquecidas em um museu reapareceram após mais de 40 anos e reforçam que o megalodonte podia ultrapassar 24 metros de comprimento

Megalodonte: vértebras redescobertas ajudaram a revisar o tamanho do predador pré-histórico (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Megalodonte: vértebras redescobertas ajudaram a revisar o tamanho do predador pré-histórico (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Publicado em 11 de julho de 2026 às 09h04.

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O megalodonte (Otodus megalodon), considerado o maior tubarão que já existiu, pode ter ultrapassado 24 metros de comprimento. A conclusão foi reforçada por um estudo que reanalisou um conjunto de vértebras fossilizadas redescobertas décadas depois de terem sido consideradas perdidas em um museu da Dinamarca.

A pesquisa, publicada na revista científica Palaeontologia Electronica, permitiu que cientistas voltassem a examinar diretamente fósseis encontrados no fim da década de 1970. O material oferece novas informações sobre o tamanho, o crescimento e a expectativa de vida desse predador que habitou os oceanos entre aproximadamente 15 milhões e 3,5 milhões de anos atrás.

Fóssil desaparecido reapareceu após décadas

As vértebras pertencem a um único indivíduo que viveu há cerca de 10,8 milhões de anos e foram encontradas na Formação Gram, no sul da Dinamarca.

Depois de uma transferência de acervo em 1989, acreditava-se que o material havia sido perdido. Durante anos, os pesquisadores tiveram acesso apenas a fotografias e descrições publicadas em trabalhos científicos.

Recentemente, parte do conjunto foi localizada em uma prateleira do museu, onde permaneceu sem identificação por décadas. De acordo com o estudo, a redescoberta tornou possível confirmar medições importantes e realizar uma nova análise do espécime.

O que as vértebras revelam sobre o tamanho do megalodonte?

Ao contrário dos peixes ósseos, os tubarões possuem esqueletos formados principalmente por cartilagem, tecido que raramente se preserva no registro fóssil. Por isso, vértebras fossilizadas são extremamente incomuns e fornecem informações muito mais precisas sobre o porte desses animais do que os dentes, que são encontrados com maior frequência.

Os pesquisadores confirmaram que uma das vértebras possui cerca de 23 centímetros de diâmetro, tornando esse o maior conjunto de vértebras já registrado para um megalodonte e, possivelmente, o maior já documentado entre todos os peixes conhecidos.

Essas medidas reforçam estimativas anteriores de que a espécie podia alcançar cerca de 24,3 metros de comprimento. Os autores observam, porém, que um esqueleto mais completo ainda será necessário para confirmar o tamanho máximo que o animal realmente poderia atingir.

Como era o crescimento do maior tubarão da história?

Além de revisar o tamanho do animal, a equipe analisou os anéis de crescimento preservados nas vértebras para reconstruir parte de sua história de vida. Segundo o estudo, o indivíduo examinado morreu com pelo menos 64 anos e poderia atingir, teoricamente, cerca de 96 anos de idade.

Os pesquisadores também estimam que um filhote de megalodonte já nascia medindo aproximadamente 3,6 metros de comprimento, dimensão superior à de muitos tubarões adultos que vivem atualmente.

Restos de outro tubarão podem ter sido sua última refeição

As vértebras foram encontradas junto a fósseis de um tubarão-peregrino (Cetorhinus), uma espécie filtradora que ainda existe atualmente.

Após comparar o formato e as dimensões dos fósseis, os pesquisadores concluíram que as vértebras pertencem ao megalodonte. Já os restos do tubarão-peregrino podem representar o conteúdo estomacal do predador, sugerindo que ele havia se alimentado desse animal pouco antes de morrer.

Embora essa hipótese ainda dependa de novas evidências, a descoberta é considerada compatível com o comportamento alimentar conhecido da espécie.

O que a redescoberta do fóssil revela sobre o megalodonte

A nova análise vai além de reforçar as estimativas sobre o tamanho do megalodonte. Ao fornecer informações mais precisas sobre seu crescimento e longevidade, a descoberta ajuda os cientistas a compreender melhor como vivia esse predador e qual era seu papel nos ecossistemas marinhos de milhões de anos atrás.

Apesar dos resultados, os autores destacam que as estimativas de comprimento e expectativa de vida ainda são provisórias. Como se baseiam em fósseis incompletos e em modelos de crescimento, elas poderão ser revisadas à medida que novos exemplares da espécie forem descobertos e estudados.

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