'Supervermes': centenas de larvas removeram a carne de pequenos animais em cerca de oito horas (Niloofar Alaei Kakhki / Museu Estadual de História Natural de Stuttgart)
Redatora
Publicado em 5 de julho de 2026 às 08h52.
Larvas conhecidas como "supervermes" podem se tornar uma nova aliada dos museus na preparação de esqueletos para pesquisa e exposição. Um estudo mostrou que centenas desses insetos conseguem remover praticamente toda a carne de uma carcaça em poucas horas ou dias, preservando os ossos e reduzindo riscos associados aos métodos tradicionais.
A pesquisa foi conduzida por cientistas do Museu Estadual de História Natural de Stuttgart, na Alemanha, e publicada na revista científica PLOS One na última quarta-feira, 1º. Os resultados indicam que as larvas do besouro Zophobas atratus podem oferecer uma alternativa mais rápida, econômica e ambientalmente mais segura para a limpeza de esqueletos.
Os chamados "supervermes" não são vermes de verdade, mas a fase larval do besouro tenebrionídeo Zophobas atratus. Eles são amplamente utilizados como alimento para répteis, aves, anfíbios e peixes.
No estudo, os pesquisadores colocaram centenas de larvas sobre carcaças de diferentes espécies, desde pequenos camundongos até um lobo-cinzento. Antes disso, os animais tiveram a pele removida e os órgãos retirados. Nos espécimes maiores, a equipe também utilizou fervura para amolecer os tecidos restantes.
Os "supervermes" consumiram rapidamente a carne dos animais menores, deixando apenas os esqueletos. Em animais maiores, o processo levou um ou mais dias e exigiu a substituição das larvas por novos grupos famintos a cada oito horas.
Atualmente, muitos museus utilizam produtos químicos, enzimas ou colônias de besouros dermestídeos para limpar esqueletos.
Embora os besouros dermestídeos sejam eficientes, eles exigem instalações específicas e rígido controle. Caso escapem ou depositem ovos em coleções, podem causar danos a outros exemplares do acervo.
Os "supervermes" apresentam uma vantagem importante: quando mantidos em grandes grupos, permanecem na fase larval e não se transformam em besouros adultos, reduzindo significativamente o risco de infestação.
Segundo a equipe, isso pode facilitar o uso da técnica principalmente em instituições menores, que muitas vezes não possuem espaço ou recursos para manter colônias de dermestídeos.
Os pesquisadores observaram que a quantidade de "supervermes" utilizada influencia diretamente o resultado. Quando havia larvas demais sobre animais pequenos, alguns ossos mais delicados sofriam danos. Já nos espécimes maiores, os esqueletos permaneceram praticamente intactos.
A proporção considerada ideal foi de 10 a 15 gramas de "supervermes" para cada grama de carcaça, quantidade suficiente para remover os tecidos sem comprometer a estrutura óssea.
Pesquisadores que não participaram do estudo consideram a proposta promissora.
De acordo com a revista Science, Patrick Campbell, curador sênior do Museu de História Natural de Londres, afirmou que consegue imaginar os "supervermes" realizando um bom trabalho na limpeza dos esqueletos. Ele ressalta, porém, que as larvas exigem alguns cuidados adicionais, como alimentação complementar com vegetais e manejo específico para manter a reprodução da colônia.
Já Mike Rutherford, curador do Museu e Galeria de Arte Hunterian, da Universidade de Glasgow, disse que pretende testar a técnica. Segundo ele, o método pode ser especialmente útil para limpar esqueletos muito delicados, como os de cobras, cujas centenas de pequenas costelas podem se deslocar facilmente durante outros processos de preparação.
No entanto, os autores destacam que o método ainda precisa ser testado em diferentes condições e espécies, mas acreditam que os "supervermes" podem ampliar o acesso à preparação de esqueletos para pesquisa e exposição.
Além de reduzir o uso de produtos químicos e diminuir os riscos de infestação, a técnica pode oferecer uma solução mais simples e acessível para museus, universidades e instituições que trabalham com coleções zoológicas.