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Conheça o ‘grito’ da cigarra que parece um 'jato decolando'

Inseto australiano atinge até 120 decibéis para atrair parceiras, emitindo um som tão potente quanto o de um avião a jato decolando

Cigarra: espécie australiana pode emitir sons superiores a 120 decibéis para atrair parceiros durante a reprodução (Freepik)

Cigarra: espécie australiana pode emitir sons superiores a 120 decibéis para atrair parceiros durante a reprodução (Freepik)

Publicado em 8 de agosto de 2026 às 09h25.

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Uma cigarra do tamanho da palma da mão é capaz de produzir um som que pode chegar a 120 decibéis, intensidade próxima ao limiar da dor para a audição humana. Conhecida na Austrália como verdureira (greengrocer), a espécie está entre os invertebrados terrestres mais barulhentos do mundo e chama atenção tanto pelo canto quanto pelas cores vibrantes.

Segundo o The Guardian, o canto da verdureira pode atingir até 120 decibéis a curta distância, valor próximo ao limiar da dor.

O volume é tão intenso que o consultor ambiental Lindsay Popple compara a experiência de ouvir uma dessas cigarras de perto ao som de "um jato decolando". Em dias muito quentes, explica o especialista ao jornal britânico, os machos podem começar a cantar logo nas primeiras horas da manhã.

Como uma cigarra tão pequena produz um som tão potente?

Apesar do tamanho reduzido, os machos possuem um sistema altamente especializado para emitir o canto.

O som é gerado por dois órgãos chamados tímpanos, localizados nas laterais do abdômen. Essas membranas vibram rapidamente, enquanto o abdômen oco funciona como uma caixa de ressonância, amplificando o ruído.

Segundo Popple, a espécie produz dois tipos principais de vocalização: um zumbido contínuo e outro formado por pulsos mais roucos. Ambos fazem parte do comportamento reprodutivo e têm a função de atrair as fêmeas. Apenas os machos produzem esse canto.

Anos escondidas sob a terra

Embora sejam conhecidas pelo barulho, as cigarras passam a maior parte da vida longe dos olhos das pessoas.

Durante anos, vivem como ninfas enterradas no solo, alimentando-se da seiva das raízes das árvores. Somente na fase adulta emergem para trocar de exoesqueleto, desenvolver asas e iniciar a reprodução.

As cascas deixadas durante essa transformação permanecem presas em troncos, árvores e cercas, tornando-se outro elemento marcante do ciclo de vida desses insetos.

Um símbolo da primavera australiana

As verdureiras são encontradas principalmente ao longo da costa leste da Austrália, incluindo regiões próximas a Sydney e Melbourne.

Ao contrário das famosas cigarras periódicas da América do Norte, que emergem em ciclos de 17 anos, as verdureiras australianas costumam aparecer em grandes grupos aproximadamente a cada sete anos. A próxima ocorrência está prevista para 2027.

Além do canto característico, elas chamam atenção pela diversidade de cores. Existem exemplares verdes, amarelos, vermelhos, marrons e até azuis, cada um conhecido por apelidos populares entre os australianos. Quando milhares delas emergem simultaneamente, parques e áreas arborizadas ficam tomados pelo som intenso que transformou a espécie em um dos insetos mais emblemáticos do país.

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