Colobus congoensis: nova espécie de primata vive em área restrita e pode estar ameaçada de extinção (Daniel Rosengren/Sociedade Zoológica de Frankfurt)
Redatora
Publicado em 20 de julho de 2026 às 09h43.
Uma fotografia desfocada registrada há quase duas décadas deu início a uma investigação que terminou com a identificação de uma nova espécie de macaco na África. Após anos de expedições, análises genéticas e estudos anatômicos, pesquisadores confirmaram a existência do Colobus congoensis, considerado apenas o quinto primata africano descrito pela ciência nos últimos 75 anos.
Os resultados da descoberta foram publicada na revista científica PLOS One na última semana. Segundo os pesquisadores, o primata vive em uma área restrita da República Democrática do Congo, apresenta características físicas únicas e emite vocalizações semelhantes ao coaxar de um sapo.
O primeiro registro do animal ocorreu em 2008, quando pesquisadores da Fundação de Pesquisa de Vida Selvagem Lukuru avistaram um macaco incomum nas copas das árvores de uma região que atualmente integra o Parque Nacional de Lomami. A única fotografia obtida na ocasião, porém, ficou desfocada e não permitiu identificar o animal.
Anos depois, uma nova equipe registrou imagens mais nítidas de um macaco de porte médio, com pelos pretos desgrenhados e uma mancha alaranjada ao redor do nariz e da boca. As fotografias foram compartilhadas com os pesquisadores, que perceberam que o primata não correspondia a nenhuma espécie conhecida na região.
A partir desse momento, foi iniciado um projeto de campo para localizar e estudar o animal.
Entre 2018 e 2022, os pesquisadores exploraram o Parque Nacional de Lomami e áreas vizinhas em busca do primata.
Durante o trabalho, a equipe observou as copas das árvores, gravou vocalizações ao amanhecer e entrevistou moradores de 52 aldeias. Habitantes de oito dessas comunidades identificaram o animal, conhecido localmente pelo povo Balanga pelo nome de Likweli.
Segundo o estudo, a espécie ocupa uma área muito pequena no nordeste da República Democrática do Congo. Essa distribuição limitada pode explicar por que o macaco permaneceu desconhecido pela ciência durante tanto tempo.
Além disso, os pesquisadores descrevem o animal como discreto e de difícil observação.
Para confirmar que o Likweli era uma espécie ainda não catalogada, os cientistas analisaram três exemplares apreendidos por guardas florestais com caçadores. Os pesquisadores compararam características físicas, estrutura óssea e material genético dos animais.
A análise revelou que o primata se separou de seu parente mais próximo entre 4 milhões e 5 milhões de anos atrás, seguindo uma trajetória evolutiva independente desde então. A combinação das diferenças genéticas e anatômicas levou à descrição oficial da nova espécie, batizada de Colobus congoensis.
Os autores do estudo recomendam que o novo primata seja incluído na lista de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Segundo os pesquisadores, a distribuição geográfica restrita, a pressão da caça e a perda de habitat representam riscos para a sobrevivência da espécie.
Para a equipe, a descoberta também reforça a importância de ampliar as pesquisas e os esforços de conservação na floresta tropical da bacia do Congo, considerada uma das regiões com maior biodiversidade do planeta.