Ciência

Pesquisador ilumina corredor com celular e encontra muralha escondida há 800 anos

Escaneamentos confirmaram que a estrutura fazia parte do antigo sistema defensivo do Castelo de Chester, na Inglaterra

Castelo de Chester: modelo 3D mostra como era o sistema defensivo da fortaleza durante a Idade Média (Universidade de Chester)

Castelo de Chester: modelo 3D mostra como era o sistema defensivo da fortaleza durante a Idade Média (Universidade de Chester)

Publicado em 22 de julho de 2026 às 18h37.

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Uma visita de rotina aos subterrâneos de um antigo tribunal na Inglaterra terminou com uma descoberta arqueológica inesperada. Ao iluminar um corredor escuro com a lanterna do próprio celular, um pesquisador encontrou uma muralha que permaneceu escondida por cerca de oito séculos e que muda o que se sabia sobre a história do Castelo de Chester.

A descoberta foi divulgada pela Universidade de Chester na última quinta-feira, 17. Segundo os pesquisadores, a estrutura pertence aos restos de uma ponte construída entre 1260 e 1280, durante a Idade Média, e integrava o sistema de defesa do castelo.

Muralha medieval ficou escondida por 800 anos

O achado ocorreu nos subterrâneos do Tribunal da Coroa de Chester, construído no século XVIII sobre uma antiga prisão.

Durante a inspeção, o arqueólogo paisagista Stewart Ainsworth percebeu que parte da parede apresentava um tipo de alvenaria completamente diferente do restante da construção. A estrutura fazia uma curva de 90 graus e desaparecia em um trecho estreito, indicando que não fazia parte do edifício mais recente.

A diferença nas pedras utilizadas e na técnica de construção chamou a atenção do pesquisador, que suspeitou estar diante de uma estrutura muito mais antiga.

Comparação confirmou origem da construção

Para verificar a hipótese, Ainsworth comparou a alvenaria recém-encontrada com outras estruturas medievais ainda existentes no Castelo de Chester.

A análise mostrou que as pedras e o método de construção correspondiam às técnicas empregadas na arquitetura medieval, diferentes das utilizadas pelo arquiteto Thomas Harrison, responsável pelas edificações erguidas no local no final do século XVIII.

A descoberta também derruba uma hipótese aceita durante décadas de que Harrison teria demolido completamente essa parte da fortificação medieval para construir o complexo atual.

Após a identificação inicial, a equipe utilizou scanners digitais de alta resolução para mapear a estrutura subterrânea. Os dados foram comparados com mapas históricos e confirmaram que a muralha fazia parte de uma ponte que atravessava o antigo fosso do castelo, criando um acesso fortificado ao pátio interno, área considerada a mais protegida da fortificação medieval.

Os pesquisadores afirmam que essa ponte substituiu uma entrada anterior durante uma ampliação das defesas realizada entre 1260 e 1280.

Ponte medieval: vestígios da antiga estrutura descoberta sob o complexo do Castelo de Chester. Foto: Universidade de Chester

Ponte medieval: vestígios da antiga estrutura descoberta sob o complexo do Castelo de Chester. Foto: Universidade de Chester (Universidade de Chester)

Descoberta indica que mais estruturas podem estar preservadas

Para os pesquisadores, a muralha descoberta representa apenas uma parte das antigas fortificações do Castelo de Chester.

A expectativa é que outras construções da era medieval permaneçam escondidas sob o estacionamento e demais áreas do complexo ainda não investigadas.

Por isso, a equipe pretende ampliar o mapeamento do subsolo com técnicas de digitalização para localizar novos vestígios e auxiliar na preservação desse patrimônio histórico.

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