Ciência

Macacos entendem geometria de forma parecida com humanos, aponta estudo

Experimentos com babuínos, macacos-rhesus, crianças e adultos indicam que a percepção de formas e espaço pode ter origem evolutiva comum

Macacos: testes indicaram que os primatas reconhecem relações entre formas sem depender de cor ou tamanho (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Macacos: testes indicaram que os primatas reconhecem relações entre formas sem depender de cor ou tamanho (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Publicado em 22 de julho de 2026 às 19h18.

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A capacidade de reconhecer relações geométricas pode não ser exclusiva dos seres humanos. Um estudo realizado nos Estados Unidos mostrou que macacos conseguem identificar padrões espaciais de maneira semelhante à observada em crianças e adultos, reforçando a hipótese de que essa habilidade surgiu antes da evolução da nossa espécie.

As conclusões fazem parte da pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Carnegie Mellon e do Instituto de Tecnologia de Rochester. Os resultados foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) na última segunda-feira, 20.

Como experimento testou percepção geométrica de macacos

Os testes foram realizados no Zoológico de Seneca Park, em Nova York, como parte do projeto Primate Portal, que permite a participação voluntária dos animais em pesquisas por meio de telas sensíveis ao toque instaladas nos próprios recintos.

Para incentivar a interação, os pesquisadores ofereceram petiscos à base de frutas enquanto babuínos-oliva (Papio anubis) e macacos-rhesus (Macaca mulatta) realizavam desafios envolvendo figuras bidimensionais.

Em vez de identificar diferenças de cor, tamanho ou formato, os animais precisavam associar imagens apenas com base nas relações geométricas entre elas, uma tarefa considerada mais complexa do que aparenta.

Comparação incluiu crianças e adultos

Após avaliar o desempenho dos macacos, os pesquisadores repetiram o mesmo experimento com três grupos de pessoas: 79 adultos indígenas do povo Tsimane', na Bolívia, dezenas de crianças entre 3 e 6 anos da Escola Infantil da Universidade Carnegie Mellon e 21 adultos norte-americanos.

Segundo os autores, essa comparação permitiu avaliar a influência da idade e da experiência cultural sobre a capacidade de compreender relações geométricas.

Os resultados mostraram um padrão semelhante entre os diferentes grupos, indicando que humanos e outros primatas compartilham uma forma parecida de processar conceitos básicos de geometria.

Descoberta pode ajudar no ensino da matemática

De acordo com a neurocientista cognitiva Jessica Cantlon, da Universidade Carnegie Mellon, a principal surpresa não foi o fato de os macacos resolverem o desafio, mas a semelhança entre o raciocínio apresentado por primatas, crianças e adultos.

Para a pesquisadora, isso sugere que a percepção de formas e relações espaciais faz parte da arquitetura cognitiva básica dos primatas e pode ter uma origem evolutiva comum.

Os autores afirmam que essa conclusão pode contribuir para novas estratégias de ensino, ao indicar que as crianças chegam à escola com uma compreensão intuitiva de conceitos geométricos, sobre a qual a aprendizagem formal pode ser construída.

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