Carro elétrico: silêncio, aceleração instantânea e frenagem regenerativa podem explicar a sensação de enjoo (Freepik)
Redatora
Publicado em 26 de julho de 2026 às 10h27.
Os carros elétricos estão ganhando espaço nas ruas, mas algumas pessoas relatam um efeito inesperado após trocar os modelos a combustão: mais episódios de enjoo durante as viagens. Segundo especialistas citados pelo The Guardian, o problema não está relacionado a uma falha dos automóveis, mas à forma como o cérebro interpreta os movimentos durante a viagem.
Pesquisadores que estudam a cinetose, ou enjoo de movimento, apontam que características típicas dos veículos elétricos — como a ausência de ruído do motor, a frenagem regenerativa e a aceleração imediata — podem dificultar a previsão dos movimentos pelo cérebro.
O principal motivo está no chamado conflito sensorial. O cérebro combina continuamente informações enviadas pelos olhos, ouvido interno — responsável pelo equilíbrio — e pelo restante do corpo para interpretar o movimento.
Quando esses sinais não coincidem, surgem sintomas como náusea, tontura, suor frio e mal-estar. Segundo os especialistas, os carros elétricos alteram diversos estímulos aos quais o cérebro esteve acostumado durante décadas em veículos a combustão, tornando mais difícil antecipar acelerações e desacelerações.
Uma das diferenças mais importantes é a quase ausência do barulho do motor. Nos veículos convencionais, o aumento do ruído acompanha a aceleração, enquanto sua redução costuma indicar que o carro está diminuindo a velocidade.
Esse som funciona como uma pista que ajuda o cérebro a prever o movimento do veículo. Nos carros elétricos, essa referência praticamente desaparece, aumentando a discrepância entre o que o corpo sente e o que o cérebro espera acontecer.
Outro fator apontado pelos pesquisadores é a frenagem regenerativa. Ao retirar o pé do acelerador, muitos modelos elétricos começam a desacelerar automaticamente para recuperar energia e recarregar parte da bateria. Esse comportamento produz uma desaceleração diferente daquela encontrada na maioria dos carros a combustão.
Além disso, motores elétricos entregam praticamente todo o torque de forma imediata, proporcionando acelerações rápidas e respostas quase instantâneas ao acelerador. Segundo os especialistas, essas mudanças podem surpreender passageiros, sobretudo aqueles que ainda não estão habituados ao padrão de condução dos veículos elétricos.
Os pesquisadores explicam que motoristas costumam sofrer menos com a cinetose porque conseguem antecipar curvas, frenagens e acelerações. Já os passageiros, principalmente os que viajam no banco traseiro, não controlam o veículo nem sabem exatamente quando cada movimento ocorrerá.
Essa falta de previsibilidade aumenta o conflito entre os sinais enviados pelos olhos e pelo sistema vestibular, localizado no ouvido interno. Especialistas alertam que esse desafio poderá se tornar ainda mais comum com a popularização dos carros autônomos, nos quais ninguém estará conduzindo o veículo.
Enquanto montadoras estudam soluções, como vibrações nos bancos e outros estímulos capazes de ajudar o cérebro a antecipar os movimentos do veículo, especialistas recomendam medidas simples para reduzir o desconforto durante as viagens. Entre elas estão:
Segundo os pesquisadores, à medida que mais pessoas passarem a utilizar veículos elétricos, o próprio cérebro poderá se adaptar gradualmente às novas características desse tipo de condução, reduzindo a frequência dos episódios de enjoo.