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'Ninguém nos derrotará com mentiras', diz Lula em artigo no The Washington Post

Presidente afirma que tentativas de impor restrições ideológicas e usar a parceria entre Brasil e Estados Unidos para fins eleitorais "não prosperarão" e critica as novas tarifas impostas por Donald Trump

Os presidentes Donald Trump e Lula, durante reunião na Malásia, em 26 de outubro de 2025 (Ricardo Stuckert/PR)

Os presidentes Donald Trump e Lula, durante reunião na Malásia, em 26 de outubro de 2025 (Ricardo Stuckert/PR)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 26 de julho de 2026 às 10h03.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou neste domingo, 26, um artigo no jornal americano The Washington Post e criticou a decisão do governo Donald Trump de ampliar novas tarifas sobre os produtos brasileiros. 

O petista acusa os americanos de tentar instrumentalizar a parceria bilateral para fins eleitorais e ideológicos.

"Tentativas de impor restrições ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não prosperarão. Nunca antes um secretário de Estado dos EUA declarou que o Brasil não é amigo dos Estados Unidos. Ninguém nos derrotará com mentiras", escreve o petista.

Nas últimas semanas, o governo Trump aplicou duas tarifas. A primeira foi de 25%, como resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301 sobre supostas práticas comerciais do Brasil contra os Estados Unidos.

Poucos dias depois, em 23 de julho, Washington anunciou uma nova sobretaxa de 12,5% sobre parte dessas importações, desta vez como resultado de outra investigação da Seção 301 relacionada ao suposto uso de trabalho forçado na produção de determinados bens.

O texto também foi publicado um dia após o Itamaraty anunciar que os vistos de dois altos funcionários do Departamento de Estado dos EUA foram negados após o Washington Post publicar que o objetivo da viagem seria levantar suspeitas contra a integridade do processo eleitoral brasileiro.

O petista afirma que as novas tarifas vão prejudicar empresas e consumidores americanos. Ele reforça que o seu governo negociou com os americanos, mas que, assim como no primeiro tarifaço, a nova imposição também tem motivações políticas.

No entanto, neste mês, ignorando dezenas de reuniões entre nossas equipes, argumentos técnicos sólidos e documentos que entreguei pessoalmente ao presidente Trump, o governo dos EUA impôs novas tarifas ao Brasil, variando de 12,5% a 37,5%", diz Lula no artigo.

No artigo, o petista rebate ainda as justificativas apresentadas por Washington para as tarifas. Ele afirma que a liberdade de expressão "não é um salvo-conduto para atividades criminosas em plataformas de redes sociais", defende que o Pix "não discrimina empresas americanas" e classifica o sistema de pagamentos como uma referência internacional em infraestrutura pública digital.

Lula também sustenta que o Brasil intensificou o combate ao desmatamento e aos crimes ambientais desde o início de seu terceiro mandato.

Apesar das críticas, Lula afirma que o Brasil segue disposto a manter uma relação de cooperação com os Estados Unidos. "Estamos prontos para unir forças em torno de iniciativas concretas que envolvam investimentos, comércio e o combate ao crime organizado", escreveu.

Ao longo do texto, o presidente também reforça o discurso de defesa da soberania nacional, que tem marcado a reação do governo às medidas adotadas por Trump. "O destino do Brasil cabe exclusivamente aos brasileiros determinar — sem interferência estrangeira ou subserviência", afirma. Na conclusão, Lula diz que o país continuará negociando "com todos aqueles que sabem respeitar a nossa" soberania.

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