Tempestades solares: projeto prevê um escudo de plasma para reduzir o impacto de eventos extremos sobre a Terra (Pitris/Getty Images)
Redatora
Publicado em 26 de julho de 2026 às 07h27.
Uma tempestade solar extrema poderia provocar apagões em larga escala, danificar satélites, interromper sistemas de comunicação e comprometer redes elétricas ao redor do mundo. Para reduzir esse risco, pesquisadores propuseram um projeto chamado StormWall, que prevê a criação de um escudo temporário de plasma ao redor da Terra para enfraquecer a energia dessas tempestades antes que elas atinjam o planeta.
A proposta, publicada na revista científica AGU Earth and Space Science, foi desenvolvida por cientistas das universidades de Boston e Michigan e utiliza tecnologias já existentes ou em desenvolvimento.
Embora ainda esteja na fase conceitual, os pesquisadores afirmam que a ideia é fisicamente plausível e poderia proteger a infraestrutura terrestre durante eventos solares extremos.
De acordo com o estudo, o projeto prevê o lançamento de seis satélites em órbita geossíncrona, a cerca de 36 mil quilômetros da superfície terrestre.
Em caso de uma tempestade solar excepcionalmente intensa, esses satélites liberariam centenas de milhares de quilos de materiais como bário, lítio ou sódio. Ao serem expostos à luz solar, esses elementos seriam ionizados e formariam uma nuvem de plasma diante da magnetosfera terrestre.
Segundo os pesquisadores, essa barreira funcionaria como um "airbag espacial", reduzindo temporariamente a transferência de energia das partículas carregadas emitidas pelo Sol e desviando parte delas ao redor da magnetosfera.
O efeito protetor duraria aproximadamente seis horas, tempo suficiente para diminuir os impactos da tempestade.
A Terra é protegida naturalmente pela magnetosfera, região formada pelo campo magnético gerado no núcleo do planeta. Essa estrutura desvia grande parte das partículas carregadas emitidas continuamente pelo Sol.
Quando ocorre uma ejeção de massa coronal muito intensa, porém, uma quantidade muito maior dessas partículas atinge a magnetosfera, provocando uma tempestade solar.
Em eventos extremos, elas podem danificar satélites, afetar sistemas de navegação por GPS, interromper comunicações por rádio e induzir correntes elétricas capazes de comprometer redes de transmissão de energia.
Os pesquisadores lembram que um apagão causado por uma tempestade solar atingiu a província de Quebec, no Canadá, em 1989, enquanto uma supertempestade em 2012 passou próxima da Terra sem atingi-la diretamente.
A estimativa é de que o StormWall poderia custar dezenas de bilhões de dólares, podendo chegar a cerca de US$ 100 bilhões. Mesmo assim, eles argumentam que o investimento pode ser pequeno diante dos prejuízos potenciais de uma tempestade solar extrema.
Apesar de considerado viável do ponto de vista físico, o StormWall exigiria superar obstáculos tecnológicos importantes. Um deles é colocar em órbita aproximadamente 380 toneladas de material ionizável, quantidade muito superior à capacidade normalmente transportada por missões destinadas à órbita geossíncrona.
Segundo os pesquisadores, isso dependeria de uma nova geração de foguetes de grande porte, como a Starship, da SpaceX, ou o Longa Marcha 9, em desenvolvimento na China.
Além disso, seria necessário aprimorar os sistemas de previsão do clima espacial para identificar tempestades realmente perigosas com antecedência suficiente para ativar o sistema.
Os cientistas também defendem que uma decisão desse porte dependeria de uma coordenação internacional, já que seus efeitos envolveriam todo o planeta.