Ciência

Krakatoa: a erupção que produziu o som mais alto da história

Em 1883, a explosão do Krakatoa foi ouvida a mais de 4,6 mil km, matou 36 mil pessoas e alterou o clima global por anos

Vulcão: explosão do Krakatoa lançou cinzas a até 80 quilômetros de altitude (Freepik)

Vulcão: explosão do Krakatoa lançou cinzas a até 80 quilômetros de altitude (Freepik)

Publicado em 25 de julho de 2026 às 19h26.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreVulcões
Saiba mais

A erupção do vulcão Krakatoa, ocorrida em 1883 na Indonésia, entrou para a história não apenas pela destruição causada, mas também por produzir o som mais alto já registrado. A explosão foi ouvida a mais de 4,6 mil quilômetros de distância, provocou tsunamis que devastaram o litoral indonésio e lançou uma quantidade tão grande de cinzas na atmosfera que influenciou o clima global durante anos.

O episódio voltou a chamar atenção após novas erupções do Anak Krakatau, o "Filho do Krakatoa", registradas no início de julho.

Formado em 1927 na caldeira deixada pela explosão de 1883, o vulcão permanece ativo, embora, segundo as autoridades da Indonésia, não represente ameaça imediata às comunidades próximas, segundo informações da BBC.

Como começou a erupção do Krakatoa

Após cerca de 200 anos de inatividade, o Krakatoa voltou a apresentar sinais de atividade em maio de 1883, quando embarcações que navegavam pela região observaram colunas de fumaça e cinzas saindo da ilha.

A sequência de grandes erupções começou em 26 de agosto do mesmo ano. A primeira explosão lançou lava, pedra-pomes e cinzas ao mar, gerando uma onda que atingiu áreas costeiras e causou milhares de mortes.

Nas horas seguintes, a atividade se intensificou. A coluna de cinzas atingiu aproximadamente 80 quilômetros de altitude e espalhou partículas por uma extensa área, deixando a região mergulhada na escuridão por mais de dois dias.

O som mais alto já registrado

Na manhã de 27 de agosto ocorreu a explosão mais violenta do evento. Segundo registros históricos, o estrondo foi ouvido até na Austrália e na ilha Maurício, localizada a mais de 4,6 mil quilômetros do vulcão. Até hoje, esse é considerado o som mais intenso já registrado.

A força da explosão destruiu grande parte da ilha e provocou o colapso da estrutura vulcânica, deslocando enormes volumes de água no oceano.

Tsunamis provocaram a maior parte das mortes

As ondas geradas pelo colapso do vulcão foram responsáveis pela maior parte das vítimas. Em menos de 48 horas, cerca de 165 vilarejos foram destruídos. Das mais de 36 mil mortes registradas, aproximadamente 34 mil foram causadas pelos tsunamis.

Além das ondas gigantes, fluxos piroclásticos — correntes de gases superaquecidos, cinzas e fragmentos de rocha — atingiram áreas próximas ao vulcão, ampliando a devastação.

Como as cinzas do Krakatoa alteraram o clima da Terra

Os efeitos da erupção foram muito além da Indonésia. Segundo os Centros Nacionais de Informação Ambiental dos Estados Unidos (NCEI), as partículas lançadas na atmosfera reduziram a quantidade de radiação solar que chegava à superfície, provocando uma queda de cerca de 0,5 °C na temperatura média global.

O clima levou aproximadamente cinco anos para retornar às condições anteriores.

As cinzas também deixaram amanheceres e entardeceres avermelhados em diferentes partes do mundo. Alguns pesquisadores acreditam que esse fenômeno tenha inspirado o céu retratado por Edvard Munch na obra "O Grito".

Erupção também impulsionou avanços científicos

Além de marcar a história pelos impactos humanos e ambientais, o desastre ajudou a ampliar o conhecimento sobre o funcionamento da atmosfera terrestre.

A dispersão global das cinzas permitiu aos cientistas compreender melhor a influência das correntes de jato, fluxos de ar que circulam em grandes altitudes e desempenham papel fundamental na dinâmica do clima.

Para especialistas destacados pela BBC, a erupção do Krakatoa representou um marco na compreensão de que um único evento natural pode provocar consequências em escala planetária, reforçando a visão de que os diferentes sistemas da Terra estão interligados.

Acompanhe tudo sobre:VulcõesCuriosidadesPesquisas científicasIndonésia

Mais de Ciência

Câncer na Geração Z: por que os hábitos dos jovens acendem alerta e preocupam médicos?

Sangue do cordão umbilical vira 'arma' contra o câncer em novo estudo

Túmulo intacto com 38 pessoas revela 'segredos' de antiga elite no Peru

Estudo com mil ossos humanos revela canibalismo e rituais macabros na Espanha