Queda de cabelo: estudo investigou possível relação entre o medicamento da classe GLP-1 e a alopecia (Darya Komarova/Getty Images)
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Publicado em 26 de julho de 2026 às 06h01.
Medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Zepbound, podem estar associados a um pequeno aumento no risco de queda de cabelo em pessoas com diabetes tipo 2. A conclusão é de um estudo publicado na revista BMJ, que analisou os prontuários de quase 40 mil pacientes tratados com diferentes medicamentos para controlar a doença.
Os pesquisadores compararam usuários de agonistas do receptor GLP-1 - as chamadas canetas emagrecedoras -, com pacientes que utilizavam duas outras classes de medicamentos para diabetes.
Embora tenham encontrado uma incidência maior de alopecia entre quem usava GLP-1, os autores destacam que o risco absoluto permaneceu baixo e que o estudo não demonstra uma relação direta de causa e efeito.
Para chegar aos resultados, a pesquisa utilizou registros eletrônicos de saúde do sistema Penn Medicine, da Universidade da Pensilvânia, reunindo dados de pacientes tratados entre janeiro de 2019 e setembro de 2024.
Os cientistas compararam usuários de agonistas do receptor GLP-1 com pessoas que faziam tratamento com inibidores de SGLT-2 ou inibidores de DPP-4, duas classes amplamente utilizadas no tratamento do diabetes tipo 2.
Para reduzir possíveis distorções, os pesquisadores ajustaram os resultados levando em consideração fatores como idade, sexo, índice de massa corporal (IMC), etnia, doenças pré-existentes e uso de outros medicamentos.
Após os ajustes, os pesquisadores observaram que usuários de GLP-1 apresentaram um risco 37% maior de alopecia em comparação com pacientes que utilizavam inibidores de SGLT-2. Na comparação com usuários de inibidores de DPP-4, o aumento chegou a 68%.
Apesar disso, os autores ressaltam que a ocorrência do problema foi relativamente rara. Entre os pacientes que faziam uso de canetas emagrecedoras, a incidência ficou em torno de 6 a 7 casos por mil pessoas ao ano.
As análises mostraram que a associação ocorreu principalmente com a alopecia não cicatricial, forma de queda de cabelo em que os folículos permanecem preservados, permitindo o crescimento de novos fios.
Nesse tipo de alopecia, o risco foi 53% maior em comparação com usuários de inibidores de SGLT-2 e 72% maior em relação aos usuários de inibidores de DPP-4.
Segundo os pesquisadores, os registros utilizados no estudo não permitiram avaliar se o cabelo voltou a crescer após a interrupção do tratamento.
O estudo não identificou em definitivo o mecanismo responsável pela associação entre os medicamentos e a queda de cabelo. No entanto, os autores apontam que a perda rápida de peso, frequentemente observada em usuários de GLP-1, é uma causa conhecida de aumento temporário da queda de cabelo.
Além disso, alterações nutricionais, como deficiência de ferro ou zinco, e mudanças hormonais relacionadas ao emagrecimento também podem contribuir para esse efeito.
Diante disso, os pesquisadores ressaltam que o trabalho é um estudo observacional, o que significa que não é possível afirmar que os medicamentos tenham provocado diretamente a alopecia. Também não foi possível determinar a gravidade, a duração da queda de cabelo, tampouco verificar se os fios voltaram a crescer após a suspensão do tratamento.
Mesmo assim, os autores afirmam que os resultados são relevantes uma vez que reforçam relatos anteriores e fornecem evidências mais robustas para que médicos e pacientes considerem esse possível efeito adverso ao decidir sobre o tratamento.