Vitamina B12: Pesquisa mostra que baixos níveis de vitamina comprometem a produção de energia das células e podem causar sintomas frequentemente atribuídos à idade (Freepik)
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Publicado em 29 de junho de 2026 às 15h12.
Sentir mais cansaço, perder força muscular ou notar uma redução gradual da disposição costuma ser encarado como uma consequência inevitável do envelhecimento. No entanto, pesquisadores alertam que esses sinais podem esconder um problema muito mais simples de tratar: a deficiência de vitamina B12. Uma nova pesquisa mostra que a falta desse nutriente interfere diretamente na produção de energia das células, criando sintomas que podem ser confundidos com o avanço natural da idade.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Cornell e publicado no periódico científico Journal of Nutrition em 2026. Os cientistas investigaram como a deficiência de vitamina B12 afeta o funcionamento das mitocôndrias, estruturas conhecidas como as "usinas de energia" das células.
A vitamina B12 já era reconhecida por seu papel na formação das células sanguíneas e na manutenção do sistema nervoso. O novo trabalho amplia essa compreensão ao mostrar que ela também é fundamental para preservar o funcionamento das mitocôndrias.
Nos experimentos realizados com células musculares, os pesquisadores observaram que baixos níveis de vitamina B12 prejudicam o DNA mitocondrial, reduzindo a capacidade de produção de energia. Como consequência, músculos e outros tecidos passam a funcionar com menor eficiência, favorecendo sintomas como fadiga, perda de força e menor resistência física.
Segundo os autores, essa descoberta ajuda a explicar por que muitas pessoas atribuem esses sinais simplesmente ao envelhecimento, quando, em alguns casos, eles podem estar relacionados a uma deficiência nutricional.
Os pesquisadores destacam que a deficiência de vitamina B12 é relativamente frequente, principalmente entre idosos. Isso ocorre porque, com o passar dos anos, o organismo pode perder parte da capacidade de absorver adequadamente a vitamina, mesmo quando ela está presente na alimentação.
"O papel da vitamina B12 nas mitocôndrias tem despertado interesse crescente entre pesquisadores do envelhecimento e da função muscular", destacam os autores. Eles acrescentam que "baixos níveis de B12 podem interferir no DNA mitocondrial e reduzir a produção de energia", mecanismo observado durante os experimentos laboratoriais.
Estudos anteriores também apontam que uma parcela significativa dos adultos mais velhos apresenta deficiência leve ou moderada de vitamina B12, muitas vezes sem diagnóstico, justamente porque seus sintomas são inespecíficos e semelhantes aos do envelhecimento normal.
Tradicionalmente, a deficiência de vitamina B12 é associada à anemia. Entretanto, as evidências acumuladas nos últimos anos indicam que seus efeitos vão muito além disso.
A vitamina participa de diversas reações metabólicas importantes para o funcionamento das células, dos músculos e do sistema nervoso. Quando seus níveis diminuem, podem surgir alterações cognitivas, formigamentos, fraqueza muscular, perda de equilíbrio, redução da disposição e comprometimento da capacidade física. Em situações prolongadas, alguns desses danos neurológicos podem até se tornar permanentes caso não sejam identificados precocemente.
"O estudo sugere que mesmo um estado considerado 'limítrofe' de vitamina B12 pode comprometer a resistência ao estresse metabólico e acelerar processos relacionados ao envelhecimento", afirmam os pesquisadores da Universidade Cornell.
Os autores ressaltam que a pesquisa foi realizada em modelos laboratoriais de células musculares e ajuda a compreender os mecanismos biológicos envolvidos, mas ainda serão necessários novos estudos em seres humanos para confirmar como esses efeitos se manifestam em diferentes populações.
Ainda assim, o trabalho reforça uma mensagem importante para a medicina preventiva: sintomas frequentemente atribuídos apenas à idade merecem investigação. Cansaço persistente, perda de força, dificuldade de concentração ou redução da capacidade física nem sempre são consequências inevitáveis do envelhecimento.
Em 2026, completam-se cem anos da descoberta da vitamina B12. Isso porque, em 1906, os médicos George Minot e William Murphy demonstraram que uma dieta rica em fígado era capaz de tratar a anemia perniciosa, uma doença que frequentemente levava pacientes à morte. A descoberta revolucionou a medicina e abriu caminho para que, anos depois, cientistas identificassem a vitamina B12, também chamada de cobalamina, como o componente do fígado responsável pelos efeitos terapêuticos.
E, mesmo depois de revolucionar a medicina, a vitamina B12 continua desafiando aquilo que a ciência acreditava conhecer sobre ela. Antes vista apenas como um nutriente essencial para prevenir a anemia, hoje desponta como uma peça importante na complexa engrenagem que mantém as células funcionando, produzindo energia e preservando sua vitalidade ao longo da vida.