Visão humana: organoide de retina foi usado na nova pesquisa
Redatora
Publicado em 12 de julho de 2026 às 08h43.
A vitamina A pode desempenhar um papel muito mais importante na formação da visão humana do que se imaginava. Pesquisadores descobriram como uma molécula derivada do nutriente atua, em conjunto com hormônios da tireoide, para formar a região da retina responsável pela visão central mais nítida ainda durante o desenvolvimento fetal.
Os resultados foram concluídos por cientistas da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Segundo os autores, a descoberta revisa uma teoria aceita há décadas sobre o desenvolvimento da retina e poderá contribuir para futuras terapias destinadas a restaurar a visão em pessoas com doenças oculares.
Para investigar como o olho se desenvolve antes do nascimento, os pesquisadores utilizaram organoides de retina, pequenos tecidos cultivados em laboratório que reproduzem características da retina humana.
Ao acompanhar esses organoides por vários meses, a equipe identificou os mecanismos que formam a fóvea, pequena região localizada no centro da retina responsável pela visão mais precisa e detalhada.
O estudo mostrou que esse processo depende da ação coordenada do ácido retinoico — molécula produzida a partir da vitamina A — e dos hormônios da tireoide.
Os cientistas analisaram os chamados cones, células da retina responsáveis pela percepção das cores. Existem três tipos: cones azuis, verdes e vermelhos, cada um especializado em captar diferentes comprimentos de onda da luz.
Segundo os pesquisadores, em primeiro momento ocorre a redução dos níveis de ácido retinoico, diminuindo a formação de cones azuis. Em seguida, os hormônios da tireoide estimulam parte dessas células a se transformar em cones vermelhos e verdes, predominantes na fóvea e essenciais para a visão central de alta resolução.
Durante muitos anos, a principal explicação para a formação da fóvea era que os cones azuis surgiam na região central da retina e, posteriormente, migravam para áreas mais periféricas.
No entanto, os novos resultados indicam um mecanismo diferente. Em vez de se deslocarem, essas células permanecem no mesmo local, mas mudam de identidade ao longo do desenvolvimento, transformando-se em cones vermelhos e verdes.
Segundo os autores, esse processo explica como a retina humana adquire a organização necessária para produzir imagens com maior nitidez e percepção de detalhes.
Além de ampliar o conhecimento sobre a formação da visão, os resultados poderão ajudar a aperfeiçoar organoides de retina produzidos em laboratório, tornando-os mais semelhantes ao tecido humano.
Os pesquisadores acreditam que modelos mais fiéis ao funcionamento da retina humana poderão facilitar o desenvolvimento de terapias de reposição celular para tratar doenças que afetam a visão central, como degeneração macular e glaucoma.