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Lula acusa Trump de 'pirataria' após EUA assumirem controle de Ormuz e cobrarem taxas

Em sua declaração, o presidente relacionou o conflito no Oriente Médio ao aumento dos preços dos alimentos no Brasi

Lula: presidente brasileiro acusa de Trump de 'pirataria' após EUA assumirem controle de Ormuz e cobrarem taxas (Ricardo Stuckert/Flickr//Divulgação)

Lula: presidente brasileiro acusa de Trump de 'pirataria' após EUA assumirem controle de Ormuz e cobrarem taxas (Ricardo Stuckert/Flickr//Divulgação)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 13 de julho de 2026 às 15h20.

Última atualização em 13 de julho de 2026 às 15h34.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou nesta segunda-feira, 13, como “pirataria” a intenção anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de assumir o controle do Estreito de Ormuz, no Irã, e cobrar uma taxa de embarcações que transportam petróleo pela região.

Segundo Lula, Trump informou, por meio de uma publicação nas redes sociais, que pretende garantir a passagem pelo estreito, mas condicionou a medida ao pagamento de uma cobrança pelos proprietários da carga.

"Ele fez um tuíte dizendo que vai desobstruir, mas, para cada navio que ele tirar do estreito, o dono do petróleo tem que pagar 20% pra ele. Isso antigamente se chamava pirataria. Um país importante como os Estados Unidos, que durante muito tempo combateu a pirataria, não pode agora virar pirata", declarou.

Durante a fala, o presidente relacionou o conflito no Oriente Médio ao aumento dos preços dos alimentos no Brasil. De acordo com ele, a guerra pressiona os custos dos combustíveis utilizados no transporte de mercadorias, o que acaba refletindo no valor final de produtos da cesta básica.

Ao comentar a situação no Estreito de Ormuz, Lula afirmou que a região já estava sob responsabilidade dos países envolvidos e negou qualquer participação do Brasil no conflito. "O Estreito de Ormuz é da responsabilidade deles. Ele não estava fechado. Não foi o Brasil que inventou a guerra com o Irã. O Brasil deu algum tiro? Não. O Brasil matou alguém? Não. Foi ele que inventou essa guerra".

O presidente também contestou a justificativa apresentada pelo governo norte-americano para o início da ofensiva, baseada na alegação de que o Irã desenvolveria armas nucleares. Lula afirmou que essa versão seria uma “mentira” e relembrou uma visita realizada ao país, em 2010, quando foi firmado um acordo relacionado ao programa nuclear iraniano. Em seguida, fez referência ao episódio envolvendo o Iraque. “Da mesma forma que inventaram que o Saddam Hussein tinha arma química”, ele disse, acrescentando que essa acusação não foi comprovada.

Na sequência, Lula voltou a negar que o Irã possuísse capacidade para desenvolver armamento nuclear e afirmou que os impactos do conflito já afetam o custo dos alimentos consumidos pelos brasileiros. "O Irã não tinha arma nuclear, não tinha competência para fazer e nem ia fazer. O que está acontecendo com essa guerra? Está chegando no preço do feijão, do arroz, do tomate e da cebola aqui no Brasil".

O presidente também utilizou esse cenário para justificar a cobrança de uma alíquota de 12% sobre a exportação de petróleo, medida que alcança a Petrobras e outras empresas do setor. Segundo ele, a tributação funciona como um “subsídio” para evitar que a população enfrente insegurança alimentar em decorrência dos efeitos econômicos do conflito, citado por ele como consequência da “guerra do senhor Trump”.

As declarações foram feitas durante visita ao Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), onde o presidente acompanhou atividades relacionadas a testes com etanol e biodiesel voltados ao desenvolvimento de novas misturas de combustíveis. O evento contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e dos ministros Alexandre Silveira, de Minas e Energia, Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, e Luiz Marinho, do Trabalho.

Ao concluir o discurso, Lula criticou a possibilidade de obtenção de ganhos financeiros em meio ao conflito. "Não é comum, normal, democrático ou civilizatório alguém aproveitar a desgraça pagar dinheiro às contas da dela. Quem quiser comprar, pode vir aqui que a gente não vai cobrar nada. Vamos cobrar só o preço justo daquilo que produzimos".

Bloqueio em Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira, 13, a retomada do bloqueio naval aos portos do Irã e informou que o governo americano passará a cobrar uma tarifa de 20% sobre todas as cargas transportadas pelo Estreito de Ormuz.

A medida amplia a tensão entre Washington e Teerã após dias de confrontos entre os dois países. Em resposta, o governo iraniano rejeitou qualquer atuação dos Estados Unidos sobre a hidrovia e afirmou que a colaboração de países do Golfo com Washington será considerada "um ato de guerra".

O anúncio foi feito por Trump em uma publicação nas redes sociais. No texto, o presidente declarou que o Estreito de Ormuz permanece "aberto" e confirmou a retomada do bloqueio direcionado a embarcações iranianas.

"Estamos restabelecendo o BLOQUEIO IRANIANO, assim chamado porque impede apenas que navios iranianos ou seus clientes entrem ou saiam", escreveu.

Na mesma publicação, Trump afirmou que os Estados Unidos passarão a cobrar uma taxa equivalente a 20% sobre todas as cargas que cruzarem a hidrovia. Segundo ele, o objetivo é ressarcir os custos das operações militares e de segurança conduzidas pelo país na região.

"Seremos reembolsados, à taxa de 20% sobre todas as cargas transportadas, por quaisquer custos necessários para fornecer segurança e proteção", afirmou.

Em entrevista à Fox News, o presidente americano declarou que os Estados Unidos assumirão o papel de "os guardiões do Estreito". Segundo Trump, Washington já monitorava a área sem receber compensação financeira e, a partir de agora, será remunerado por países que utilizam a rota marítima.

"Vamos receber dinheiro para protegê-lo. Muito dinheiro. Tudo o que queremos é ser reembolsados por fazer tudo isso, por colocar nosso povo em perigo", declarou.

Ao comentar a atuação americana na região, Trump afirmou que os Estados Unidos estão "tomando o controle" da passagem marítima e voltou a acusar o governo iraniano de agir de má-fé durante as negociações entre os dois países.

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