Europa: cientistas descobriram que a água do oceano profundo pode não alcançar a superfície (Nasa)
Redatora
Publicado em 4 de agosto de 2026 às 09h07.
Europa, uma das luas de Júpiter, é considerada um dos locais mais promissores do Sistema Solar para a busca por condições favoráveis à vida. No entanto, um novo estudo sugere que acessar evidências desse ambiente pode ser mais difícil do que os cientistas imaginavam.
A pesquisa, publicada na revista Nature Astronomy, por pesquisadores da Universidade Rutgers, indica que a espessa camada de gelo que cobre Europa pode impedir que a água do oceano subterrâneo alcance regiões próximas à superfície, dificultando sua detecção por futuras missões espaciais.
Sob a superfície congelada de Europa existe um vasto oceano de água líquida, mantido nesse estado pelo calor gerado pelas forças gravitacionais exercidas por Júpiter sobre a lua.
Essa combinação de água líquida, energia e elementos químicos faz de Europa um dos principais candidatos à procura de ambientes potencialmente habitáveis fora da Terra.
Até agora, uma das principais hipóteses era que parte dessa água pudesse subir por fraturas na camada de gelo e formar reservatórios rasos, mais fáceis de serem estudados por sondas espaciais.
Para testar essa hipótese, os pesquisadores realizaram simulações computacionais que analisaram o comportamento da água ao subir por fraturas estreitas na camada de gelo de Europa. Os resultados mostraram que esse processo é muito menos provável do que se imaginava.
Segundo o estudo, a água ascenderia de forma turbulenta, perdendo calor rapidamente ao entrar em contato com as paredes geladas das fissuras. Esse resfriamento favoreceria a formação de pequenos cristais conhecidos como gelo frazil, capazes de bloquear as fraturas.
Em alguns cenários simulados, as fissuras poderiam congelar completamente em poucas horas, interrompendo a passagem da água antes que ela alcançasse as camadas mais superficiais.
Se futuras espaçonaves detectarem reservatórios rasos de água líquida sob o gelo de Europa, eles podem não estar conectados ao oceano profundo.
Segundo os autores, essas bolsas de água podem ter se formado localmente, a partir do derretimento da própria camada de gelo, e não pelo transporte de água do oceano subterrâneo.
Essa diferença é importante porque esses reservatórios poderiam fornecer poucas informações sobre o ambiente considerado mais promissor para a busca por sinais de habitabilidade.
A nova pesquisa chega enquanto duas missões internacionais seguem em direção ao sistema de Júpiter. A Europa Clipper, da Nasa, lançada em 2024, deve chegar ao planeta em 2030 e realizará 49 sobrevoos próximos de Europa para investigar sua superfície e sua estrutura interna.
Já a missão JUICE (Jupiter Icy Moons Explorer), da Agência Espacial Europeia (ESA), foi lançada em 2023 e tem chegada prevista ao sistema de Júpiter em 2031.
Entre os instrumentos da Europa Clipper está um radar capaz de investigar o interior da crosta de gelo e verificar se existem reservatórios rasos de água líquida, além de estimar seu tamanho e profundidade.
Segundo os pesquisadores, os resultados dessas missões serão fundamentais para confirmar se a camada de gelo realmente funciona como uma barreira mais eficiente do que se imaginava e orientar futuras estratégias de busca por ambientes habitáveis em Europa.